Frio, vento e o DVD acústico Superguidis
O vento sul entrava pela fresta da japona. Eram dezoito horas, eu e mais cinco ou seis pessoas esperávamos em frente ao Cultura Rock Clube. Depois de vinte minutos, no frio, finalmente deixaram que entrássemos. Quarenta minutos na ante-sala e trinta minutos aguardado os músicos passarem o som. O show da Superguidis começou com uma hora e trinta de atraso. Na platéia gente de todas as idades. Encontrei um ex-aluno e um ex-professor. A informalidade de todos estarem em casa, fez com que a banda se enrolasse ainda mais entre uma música e outra. Pouco se perdeu, porém, nas adaptações para violão dos rocks.
Os riffs, a levada e, principalmente as letras, fazem com que eu considere a Superguidis a melhor banda gaúcha, depois da parada da Ultramen. Não só o sotaque entrega que os rapazes são do sul, a forma simples com que mostram o cotidiano e refletem sobre temas universais sem sair de perto de casa, também. Como nos versos de “Mais um dia de cão”:
Moro nesse mesmo bairro a mais de vinte anos
Já plantei o meu destino em mudas de eucalipto
A cidade fede
A cidade engorda
A cidade arrota os ossos-do-ofício
Hoje eu já não mais esqueço por onde andei
o que eu passei em mais um dia de cão
Tem uns três anos que admiro o trabalho da Superguidis, porém só ontem os escutei ao vivo. Confirmei minha impressão: são autênticos. Talvez por não serem da capital, o quarteto é de Guaiba (cidade satélite), não caiam nos mesmos vícios das bandas de Porto Alegre. Também, por isso, não tenham o devido reconhecimento na Capital gaúcha. No entanto, isso pouco importa, os guris tão no caminho certo e fora do RS tem grande reconhecimento. Tanto que”A Amarga Sinfonia do Superstar” (2006) foi considerado um dos melhores álbuns de rock pela BIZZ e pela Tramavirtual.
Agora é só aguardar o DVD. Tentem me achar. Estava com a tradicional jaqueta laranja. Escute mais Superguidis no myspace.

