Socos, chutes e cinema real
Esses dias, vi a regravação de Funny Games, de Michael Haneke. Como gostaria de ter escrito aquele roteiro. O mais parecido que cheguei foi com o conto Toc-toc, que está na antologia Duas Ruas de um Beco.
Pra quem não viu essa ou a primeira gravação de 1997, o filme conta a história de dois rapazes que resolvem violentar uma família de classe média alta americana. O motivo? Nenhum. Violência por violência, como vemos na vida real. No fim do filme, os rapazes têm uma interessante conversa sobre essa questão. O que acontece no cinema não é real? E o que acontece na vida é?
Acho que desde sempre a ficção e realidade se namoram, até por que uma depende da outra. Sexta passada fui ao noitão do Belas Artes, com alguns amigos. Entre os filmes estava A Onda , de Dennis Gansel. A Onda mostra esse ponto de intersecção entre real e ficção. Vi o filme todo sem saber que era uma história real. A fotografia é ótima, as atuações, o roteiro. Mas eu diria que é impossível de ser verdade que uma turma de escola, hoje, seja induzida a formar uma organização fascista, na traumatizada Alemanha. Poderia, se o filme não fosse baseado em fatos reais.
A violência humana é mais inverossímil do que a própria ficção. E como Michael Heaneke propõe, só ela já basta pra grudar uma bunda duas horas em frente da tela.

