A Praia e velhos contos
Como anunciei no Twitter, encontrei no HD alguns contos que escrevi entre 2004 e 2005. Não dá pra dizer que todos são contos, mas sofrerão algumas mudanças e virão para o blog. Além de fugirem da minha atual proposta de escrita, não há unidade alguma no conjunto desses textos. Postarei no blog porque acho interessante o registro dessa fase passada. O primeiro da série é A Praia.
A Praia
Por Mauro Paz
Dez da manhã. O céu sem nuvens, nada de vento. Escuto o mar, pessoas se divertindo e Jammin, do Bob Marley. Pego a prancha e caminho. A areia é fina, branca, polvilhada. A água verde toca os pés, morna. Não há corrente. Chego fácil ao outside. Cinco ou seis surfistas alternam-se nas ondas. Um metro e meio, tubulares. Remo. Dropo. A onda derrete rápida. Corro a parede, nenhuma preocupação. Distribuo o repertório.
A onda acaba na beira da praia. Remo em direção ao outside. Nuvens, a água marrom. Vento. Os banhistas saem da beira. O mar inquieta-se. Ao fundo, engorda a onda. Tem a altura de um prédio de sete andares. Alguns remam para dropá-la. Remo rumo ao outside. A onda quebra, arremessa-me na beira. A água toma a praia, e as cadeiras, e as bancas, e o cimento do calçadão.
Uma série de cinco ondas se levanta. Pessoas gritam, correm, retornam pra pegar pertences. Sacudo a cabeça. Testo os sentidos. E volto a remar. Subo a parede da primeira onda. Não consigo furar. Quebra. Estrondo. Luta. A água entra pelo pulmão. O corpo afunda. Canso. E acordo pronto pra surfar.

