Não Toca

Por Mauro Paz (07/2005)


São onze e quarenta e nove, quarta-feira, e ninguém ligou. Passou o dia todo em casa e nada. O telefone podia estar quebrado. Pegou o celular e fez o teste: o telefone fixo chamou sem problema algum. Estanho que durante um dia todo ninguém ligue. Veja bem, devemos levar em conta que da hora em que acordou, oito e dez da manhã, até agora, onze e cinquenta da noite, são quinze horas e quarenta minutos sem nenhum telefone chamar. Ou seja, ninguém sentiu a sua falta nem ao menos para resolver algum problema.

Num momento como esse, começa a se perguntar: O que fiz errado? Sou um bom amigo, filho exemplar, dedicado namorado? O quê? Nem a namorada ligou e já são onze e cinquenta e dois. Come o último bombom da caixa, serve um cálice de vinho. O que aconteceu tão interessante durante o dia que ninguém se dignou a pegar o telefone sequer para ver como estava?
Onze e cinquenta e cinco o telefone toca.

— Alô.
— Alô. Topa sexo anal?
— Como?
— É, por traz. Tipo cachorro.
— Com quem o senhor quer falar?
— Marcelão Vinte Centímetros.
— Meu senhor, aqui não tem nenhum Marcelão.
— Mas não precisa ser o Marcelão. Quantos centímetros tu tem? Topa sexo anal?
— Meu senhor, ligou pro número errado, aqui moro só eu, e não trabalho nesse ramo.
— Ok. Mas sabe de alguém que possa quebrar o galho?
— Não, meu senhor. Boa noite.

Onze e cinquenta e oito e o único telefonema foi de um velho à procura de sexo anal. Tem dias na vida em que só coisas estranhas acontecem. Pega o jornal de domingo > classificados > acompanhantes: Carla, morena, tipo ninfeta, universitária, corpo escultura. Prazer garantido.
Na última esperança de que alguém ligue, mira fixamente o celular. Meia-noite, quinta–feira, não se contem:

— Alô, Carla?
— Sim.
— Topa sexo anal?

Não Toca

Por Mauro Paz (07/2005)


São onze e quarenta e nove, quarta-feira, e ninguém ligou. Passou o dia todo em casa e nada. O telefone podia estar quebrado. Pegou o celular e fez o teste: o telefone fixo chamou sem problema algum. Estanho que durante um dia todo ninguém ligue. Veja bem, devemos levar em conta que da hora em que acordou, oito e dez da manhã, até agora, onze e cinquenta da noite, são quinze horas e quarenta minutos sem nenhum telefone chamar. Ou seja, ninguém sentiu a sua falta nem ao menos para resolver algum problema.

Num momento como esse, começa a se perguntar: O que fiz errado? Sou um bom amigo, filho exemplar, dedicado namorado? O quê? Nem a namorada ligou e já são onze e cinquenta e dois. Come o último bombom da caixa, serve um cálice de vinho. O que aconteceu tão interessante durante o dia que ninguém se dignou a pegar o telefone sequer para ver como estava?
Onze e cinquenta e cinco o telefone toca.

— Alô.
— Alô. Topa sexo anal?
— Como?
— É, por traz. Tipo cachorro.
— Com quem o senhor quer falar?
— Marcelão Vinte Centímetros.
— Meu senhor, aqui não tem nenhum Marcelão.
— Mas não precisa ser o Marcelão. Quantos centímetros tu tem? Topa sexo anal?
— Meu senhor, ligou pro número errado, aqui moro só eu, e não trabalho nesse ramo.
— Ok. Mas sabe de alguém que possa quebrar o galho?
— Não, meu senhor. Boa noite.

Onze e cinquenta e oito e o único telefonema foi de um velho à procura de sexo anal. Tem dias na vida em que só coisas estranhas acontecem. Pega o jornal de domingo > classificados > acompanhantes: Carla, morena, tipo ninfeta, universitária, corpo escultura. Prazer garantido.
Na última esperança de que alguém ligue, mira fixamente o celular. Meia-noite, quinta–feira, não se contem:

— Alô, Carla?
— Sim.
— Topa sexo anal?