Sarau Desamordaçados

Que tal ouvir e ler um pouco de Desamordaçados?

Sarau Desamordaçados, leitura de contos da Antologia 39 - Oficina de Criação Literária de Luiz Antonio de Assis Brasil. Não poderei ir, mas certamente bons amigos me representarão.

Quando? 27 de novembro, sexta-feira.
Que hora? 19h
Onde? Palavraria (Rua Vasco da Gama, 165 - Porto Alegre)

Entrada franca, leituras honestas.

Mediação de Marcelo Noah.

Venha discutir o futuro do livro e da literatura

Organização de Marcelo Spalding

Começa amanhã a I Semana de Literatura Digital da Feira do Livro de Porto Alegre, não perca essa oportunidade única de debater com escritores e professores os desafios e oportunidades da literatura na Era Digital.

As atividades serão realizadas na Casa do Pensamento e na Ducha das Letras (Área Infantil e Juvenil - Cais do Porto).

ENTRADA FRANCA | VAGAS LIMITADAS

Inscrições pelo visitacaoescolar@camaradolivro.com.br ou 51 3433 7757, com Carla

TEMAS DEBATIDOS
- O leitor e a leitura na Era Digital
- O futuro do livro
- Como aproveitar as novas tecnologias no ensino de literatura
- Os novos gêneros literários: ciberpoema, hiperconto

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira, 11 de novembro

19h30min às 21h
A literatura na Era Digital: possibilidades e desafios
mesa-redonda com Ruben Penz, Dodô Azevedo e Luiz Paulo Faccioli - Casa do Pensamento.

Quinta-feira, 12 de novembro

14h às 14h50min
Os ciberpoemas
bate-papo com Mônika Papescu, para público jovem - Casa do Pensamento.

15h às 15h50min
O miniconto
bate-papo com Ana Mello, para público jovem- Casa do Pensamento.

16h30min às 18h
Narrar em hipertexto na Era Digital
oficina com Marcelo Spalding (módulo 1) - Casa do Pensamento.
(esta oficina ocorre nos dias 12, 13 e 14)

16h30min às 18h
Blog-se: dicas textuais e técnicas para blogueiros
oficina com Mauro Paz (módulo 1) - Ducha das Letras.
(esta oficina ocorre nos dias 12, 13 e 14)

19h30min
O leitor da Era Digital: como aproveitar as novas tecnologias no ensino de literatura
mesa-redonda com Paula Mastroberti e Ana Klauck - Casa do Pensamento.

Sexta-feira, 13 de novembro

14h às 14h50min
Literatura na Era da Internet

Bate-papo com Índigo, para público jovem - Casa do Pensamento.

15h às 15h50min
Literatura na Era da Internet

Bate-papo com Dodô Azevedo, para público jovem - Casa do Pensamento.

16h30min às 18h
Módulo II das oficinas de Mauro Paz e Marcelo Spalding

19h30min às 21h
O futuro do livro

Mesa-redonda com Ana Gruszynski, Índigo e Paulo Tedesco - Casa do Pensamento.

Sábado, 14 de novembro

14h às 14h50min
I Mostra de blogs e narrativas digitais – 1ª sessão

Marcelo Spalding, Mauro Paz e Nanni Rios - Casa do Pensamento

16h30min às 18h
Módulo III das oficinas de Mauro Paz e Marcelo Spalding

19h30min às 21h
I Mostra de blogs e narrativas digitais – 2ª sessão

Marcelo Spalding, Mauro Paz e Nanni Rios - Casa do Pensamento

Blog-se

Entre 12 e 14 de novembro, estarei na Feira do Livro de Porto Alegre com a oficina Blog-se. A ideia original era trazer dicas de como montar e alimentar um blog. No entanto, estou pensando em algo diferente. Considerando o horário da oficina bem complicado para quem trabalha, das 16h30 às 18h, repartirei em TRÊS momentos:

1) Panorama sobre a literatura na internet (12/11)
2) Criação de um site coletivo pra galera postar seus trabalhos (13/11)
3) Criação de campanha para ativação do site (14/11)

Pensei esse terceiro momento no sábado pra juntar os amigos publicitários que queiram participar desse exercício de criação.

Oficina Blog-se

ENTRADA FRANCA

com Mauro Paz
Dias 12, 13 e 14 de novembro, das 16h30min às 18h
Ducha das Letras - Área Infanto-Juvenil da Feira do Livro de POA

Confira a programação completa da semana em www.literaturadigital.com.br

Bastardos Inglórios e A garota azul do lago

Sábado, vi Bastardos Inglórios, com meu amigo Tiago Moralles. Não vou falar muito sobre o filme, pra não estragar a surpresa de quem quer ver. E se você não quer ver, deveria. É muito divertido. Além da atuação impagável do Brad Pitt e os personagens caricatos que são a marca do Tarantino, o filme faz uma reflexão muito boa sobre a produção cinematográfica.

No entanto, o filme de Tarantino foi a desculpa que faltava para eu adiar a escrita do romance que planejei para esse segundo semestre. Sábado mesmo dei início a uma novelinha trash: A garota azul do lago. Faz tempo que queria escrever algo bem fantasioso para diversão própria, sem grandes reflexos.

Então, aguarde. Serão seis capítulos, com direito a trilha sonora. Nessa semana, acabo o primeiro e decido como publicar.

Fincapata e Toc-toc

Hoje é a vez de mais dos contos do Duas Ruas de um Beco, Fincapata e Toc-toc. O primeiro, no site, conta o que acontece quando a musa Claudia Caswel surge na vida de um rapaz ingênuo de uma pequena cidade do interior. O segundo, nas ruas, é o primeiro conto que escrevi tendo o frentista como protagonista. Toc-toc é inspirado num ex-vizinho que tive no apartamento da João Pessoa.

Fincapata está na Antologia Desamordaçados, lançada sábado (01/08) em Porto Alegre. Não pude comparecer, mas os relatos são ótimos. Na Feira do Livro terá outra tarde de autógrafos, espero que seja entre os dias que estarei por lá ministrando o curso sobre blogs literários.

É amanhã, sábado

No próximo sábado, 1º de Agosto, acontecerá o lançamento da antologia de contos dos alunos da Oficina de Criação Literária da PUC ministrada pelo escritor e Doutor em Letras Luiz Antonio de Assis Brasil, no Cultural. DesAMORdaçados apresenta o trabalho de treze autores e é editada pela Libretos, com organização de Assis Brasil e prefácio da escritora Cíntia Moscovich. Clô Barcellos assina o design gráfico do livro. A ilustração de capa é de Carlos Filho.

O evento integra uma nova programação, o BateBocaBom Cultural, um bate-papo informal em torno da temática de uma obra e ocorre no Caminho do Livro. A iniciativa é da Câmara Rio-Grandense do Livro, que promove o hábito da leitura e fomenta o mercado livreiro do centro da Capital. Nesta primeira edição, Luiz Antonio de Assis Brasil, Léa Masina e Marcelo Spalding debatem sobre Criação Ficcional no Auditótio Erico Verissimo.

A partir das 13h, no Map Café Cultural, os novos autores autografam ao som do piano de Geraldo Flach.

DesAMORdaçados apresenta três contos de cada um dos participantes, alguns oriundos do universo das letras, como Gabriela Silva e Viviane Grespan; outros da Comunicação Social - Marinella Peruzzo, Luciane Godinho da Silva, Ana Santos, Ana Kessler e Mauro Paz ou do Direito - Elisa Beylouni, Mariza Baur e Cícero Krupp da Luz. E alguns, ainda, de áreas diversas, como Juliana Eichenberg (biologia), Leonardo Wittmann (cinema) e Stela Rates (farmácia). No exercício da busca de uma dicção narrativa, todos já revelam sua personalidade literária.

A oficina foi instituída em 1985 e funciona, de modo ininterrupto há 24 anos, no âmbito do Curso de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, sendo a mais antiga em atividade no Brasil. Nela já passaram nomes que hoje figuram a literatura do sul e do Brasil: Letícia Wierschowski, Amilcar Bettega, Daniel Galera, Cíntia Moscovich, Marcelo Spalding, Carol Bensimon, Bernardo Moraes, Monique Revillion, entre outros tantos. Em 2005, recebeu o prêmio “Fato Literário”, quando comemorou 20 anos de existência.

Serviço:

O quê: lançamento de DesAMORdaçados - antologia dos contos

Quando: 1º de agosto

Onde:Instituto Cultural - R. Riachuelo, 1257 - Centro - Porto Alegre

Hora: 11:30

DesAMORdaçados - Editora Libretos, 2009 - 160 páginas - Preço – R$ 25,00 - Formato: 14cm x 21cm - ISBN – 978-85-88412-26-2 - Org: Luiz Antonio de Assis Brasil

A arte de produzir efeito sem causa

Terminei de ler “A arte de produzir efeito sem causa”, de Lourenço Mutarelli, autor de “Cheiro do Ralo” e gostei muito. Com uma escrita precisa, Lourenço cria uma espiral decadente que começa quando Júnior larga a mulher, o emprego e vai morar no apartamento do pai. Do sofá pra, pro bar. Do bar, por aí. Sem perspectiva, Júnior empurra os dias, até que chega a primeira caixa.

Assim como em “Trilogia de NY”, de Paul Auster, o mistério que permeia “A arte de produzir efeito sem causa” é pano de fundo para discutir questões existenciais da personagem.
Escute também a opinião do autor:

Por Vinte Minutos

Mauro Paz, 24/06/2005

Ele sentou, olhou para o relógio e viu que estava vinte minutos atrasado. Em noites frias como aquela, detestava deixa-la esperando, mas não podia fazer mais nada. Se não fosse o tempo que ele perdeu com o zíper emperrado, chegaria a tempo. O grande problema de chegar atrasado era ela desconfiar e indagar sobre o que estava fazendo, com quem e onde. Como iria responder a essas perguntas? Ele não podia deixar dúvidas. No decorrer dos cinco anos em que estavam juntos, ela se mostrou uma companheira quase perfeita, com ressalva a fumar de manhã cedo.

Na sala, ela batia o pé. Via a novela das oito e pensava como esconderia quando ele chegasse. Há dias que estava saturada, sentia vontade de contar tudo: como, porque, com quem. No entanto, não sabia se valeria a união de cinco anos, pois ele era cara quase perfeito, com ressalva a mijar fora da patente.

O ônibus dobra a última esquina antes do ponto. Lembra de limpar as mãos. A sujeira o denunciaria de cara. Pegou um papel de dentro da pasta e limpou dedo por dedo, depois as palmas.

O cachorro da primeira casa da rua latiu. Ela sabia que ele estava chegando. Olhou para o forno, a carne não estava pronta. Percebeu as duas xícaras na mesa. Levantou e guardou uma.

Ele chegou. Contaram do dia. Jantaram. Transaram. Dormiram quase certos de que era o melhor a fazer.

O Beco

Mauro Paz 20/07/2005

O BECO é frio, escuro e não espera. Estava lá mais uma vez. Detestava o lugar, mas não havia outro caminho. Era necessário. Calculou as circunstâncias, no entanto o contexto QUASE o obrigava. Por mais que se importasse, há situações em que é obrigado a pensar: o mundo que se exploda, agora sou eu.

Sempre teve culpa por escolhas assim. Preocupa-se com a opinião dos demais. Muitos o consideram covarde por essas atitudes, como se nunca passassem pelo BECO.

Tentou esquecer a opinião pública. Bateu a poeira. E fugiu, com a esperança de que, DESTA VEZ, ninguém o tenha visto com as mãos sujas.

Lançamento Desamordaçados

Amigos de Porto Alegre, provavelmente, não estarei no lançamento. Peço, porém, que compareçam e compre o livro. Tirando meus contos, tem coisa muito boa no livro.

Boneco e Tua mãe e outras garotas

Hoje é o dia de mais dois contos do Duas Ruas de um Beco. Boneco está no site e Tua mãe e outras garotas, nas ruas. Esse segundo conto é muito especial pra mim, pois conta a história de uma amiga. Leia aqui a história real. Caso não o encontre pelas ruas, está na antologia Desamordaçados, que será lançada dia 01/08, em Porto Alegre.

Rodrigo

Por Mauro Paz

Vermelho, preto e verde é só o que Rodrigo enxerga. Final da Copa do Brasil. Flamengo e Internacional. Setenta mil pessoas no Maracanã. Trinta e cinco minutos do segundo tempo, zero-a-zero. O empate leva o time gaúcho ao título. A multidão rubro e negra grita a cada lance.

Rogério para Marquinhos, que dribla o meia do Internacional e devolve pra Rogério. O craque entra na grande área. Prepara o chute. Derrubado. A torcida levanta num grito só.

A onda vermelha rompe a tensão superficial do ar. Verde e azul é só o que Rodrigo vê. Sozinho, inerte. Rodrigo, a grama, o céu, Rodrigo. Inspira, escuta o vento cortar o gramado. Cada vez mais perto. Mais forte. Mais perto. Mais forte. Corre, corre. Corre tão rápido que o cérebro não comanda as pernas. Os passos se perdem na imensidão verde e azul desprovida de uma única árvore para Rodrigo agarrar.

O vento segue no encalço de Rodrigo, brinca de o alcançar. O azul começa a devorar o verde à sua frente. No mesmo passo em que o chão acaba, o vento arremessa Rodrigo de volta ao estádio.

Apito, o juiz dá tiro de meta. A torcida cala, explode. A multidão rubra e negra derrama-se no gramado. Destroça o juiz. Rodrigo assiste imóvel ao espetáculo de som e fúria e tempo real.

Não Toca

Por Mauro Paz (07/2005)


São onze e quarenta e nove, quarta-feira, e ninguém ligou. Passou o dia todo em casa e nada. O telefone podia estar quebrado. Pegou o celular e fez o teste: o telefone fixo chamou sem problema algum. Estanho que durante um dia todo ninguém ligue. Veja bem, devemos levar em conta que da hora em que acordou, oito e dez da manhã, até agora, onze e cinquenta da noite, são quinze horas e quarenta minutos sem nenhum telefone chamar. Ou seja, ninguém sentiu a sua falta nem ao menos para resolver algum problema.

Num momento como esse, começa a se perguntar: O que fiz errado? Sou um bom amigo, filho exemplar, dedicado namorado? O quê? Nem a namorada ligou e já são onze e cinquenta e dois. Come o último bombom da caixa, serve um cálice de vinho. O que aconteceu tão interessante durante o dia que ninguém se dignou a pegar o telefone sequer para ver como estava?
Onze e cinquenta e cinco o telefone toca.

— Alô.
— Alô. Topa sexo anal?
— Como?
— É, por traz. Tipo cachorro.
— Com quem o senhor quer falar?
— Marcelão Vinte Centímetros.
— Meu senhor, aqui não tem nenhum Marcelão.
— Mas não precisa ser o Marcelão. Quantos centímetros tu tem? Topa sexo anal?
— Meu senhor, ligou pro número errado, aqui moro só eu, e não trabalho nesse ramo.
— Ok. Mas sabe de alguém que possa quebrar o galho?
— Não, meu senhor. Boa noite.

Onze e cinquenta e oito e o único telefonema foi de um velho à procura de sexo anal. Tem dias na vida em que só coisas estranhas acontecem. Pega o jornal de domingo > classificados > acompanhantes: Carla, morena, tipo ninfeta, universitária, corpo escultura. Prazer garantido.
Na última esperança de que alguém ligue, mira fixamente o celular. Meia-noite, quinta–feira, não se contem:

— Alô, Carla?
— Sim.
— Topa sexo anal?

A Praia e velhos contos

Como anunciei no Twitter, encontrei no HD alguns contos que escrevi entre 2004 e 2005. Não dá pra dizer que todos são contos, mas sofrerão algumas mudanças e virão para o blog. Além de fugirem da minha atual proposta de escrita, não há unidade alguma no conjunto desses textos. Postarei no blog porque acho interessante o registro dessa fase passada. O primeiro da série é A Praia.

A Praia

Por Mauro Paz

Dez da manhã. O céu sem nuvens, nada de vento. Escuto o mar, pessoas se divertindo e Jammin, do Bob Marley. Pego a prancha e caminho. A areia é fina, branca, polvilhada. A água verde toca os pés, morna. Não há corrente. Chego fácil ao outside. Cinco ou seis surfistas alternam-se nas ondas. Um metro e meio, tubulares. Remo. Dropo. A onda derrete rápida. Corro a parede, nenhuma preocupação. Distribuo o repertório.

A onda acaba na beira da praia. Remo em direção ao outside. Nuvens, a água marrom. Vento. Os banhistas saem da beira. O mar inquieta-se. Ao fundo, engorda a onda. Tem a altura de um prédio de sete andares. Alguns remam para dropá-la. Remo rumo ao outside. A onda quebra, arremessa-me na beira. A água toma a praia, e as cadeiras, e as bancas, e o cimento do calçadão.

Uma série de cinco ondas se levanta. Pessoas gritam, correm, retornam pra pegar pertences. Sacudo a cabeça. Testo os sentidos. E volto a remar. Subo a parede da primeira onda. Não consigo furar. Quebra. Estrondo. Luta. A água entra pelo pulmão. O corpo afunda. Canso. E acordo pronto pra surfar.

O Assalto e O Diário

Estou muito satisfeito com o resultado do Duas Ruas de um Beco.  Amanhã completa um mês que tudo começou e o projeto já soma mais de 2000 acessos e 300 contos pelas ruas. Acredito que apenas com a versão impressa, o texto nunca conseguiria essa abrangência.

Segunda, 22/07, mais dois contos seguiram seus rumos: O Assalto pelas ruas e O Diário no site.

Alcides e Rodando

Hoje, mais dois contos de Duas Ruas de um Beco seguem seus rumos: Alcides pelas ruas e Rodando no site do projeto.

Pra quem ainda não sabe, Duas Ruas de um Beco é um projeto de publicação que iniciei dia 25/05. A cada duas semanas, um conto vai pras ruas e outro para o site do projeto. Acompanhe e mande sua opinião.

Metamorfose

Resposta errada, diz o Gênio. Raios translúcidos saem de suas mãos. Penetram meu peito. O estômago revira, como ao efeito de iogurte de ameixa. Sacripantas! Contraio os músculos. Inútil. As narinas se alargam, a boca. Pêlos vertem da pele. O focinho cresce ao rosto. Orelhas se esticam. Minhas feições a mercê da satânica massinha de modelar. Os dedos contraem-se. Ganho grandes cascos. Pernas, braços mudam de articulações. Ah, se minha mãe me visse assim. “Não criei filho pra andar de quatro.” Por fim, o mais desmoralizante, um rabo longo e peludo na ponta. Ao menos, agora posso excluir os e-mails “aumente seu pênis”.

Exercício de implícitos

Nem lembrava que tinha escrito esse texto. A Ana Santo lembrou ontem. É divertido até.

- Vaca.
- Ainda acordado?
- Rameira.
- Agressão gratuita?
- Quantos?
- Nenhum, mas bem que…
- Quem nasce para vintém, nunca chega a tostão.
- Pelo menos, naquele tempo, tinha o que comer.
- Belo prêmio por sustentar você e a velha.
- Não preciso de nada seu. Posso me virar sozinha.
- Isso não é nenhuma novidade.
- Não vou mais suportar isso. Longe daqui, mamãe não escutará mais suas baixarias.
- A velha até surda é.
- Mas sente o cheiro de podre.
- Já vão tarde.
- Um minuto. (silêncio) Esse apartamento é de mamãe?
- Então eu parto, mas minha viagem não tem volta.
Do quarto:
- Presenteou algum dos seus machos com meu revólver?
- Pagou a última conta de luz com ele.
- Devia ter desconfiado. Casando com uma p… minha vida seria uma zona.

No ar: Duas Ruas de um Beco

Hoje dei início ao projeto DUAS RUAS DE UM BECO. Mais do que uma antologia de contos, DUAS RUAS DE UM BECO é uma proposta alternativa que rompe com o mercado editorial e alia internet e livro impresso de forma independente. Ao todo são 16 contos.  A cada duas semanas, um novo conto ganhará as ruas de diversas cidades do Brasil e, simultaneamente, o conto irmão estará em www.mauropaz.com.br/duasruas.

Juntar os 16 contos, tarefa impossível.

Mas você pode adquirir o impresso exclusivo com os 16 contos, pelo contato: paz.mauro@gmail.com

Acompanhe.

Stand up Literatura com Andréa del Fuego

Data: 17/05 – domingo
Local: Av. Paulista, 509 – Cerqueira César – Tel.: 2167-9900
Horário: 15h
Convidada: Andrea del Fuego

Sinopse: Programa quinzenal, com uma hora de duração, transmitido ao vivo pela TV Cronópios www.cronopios.com.br.
O programa é uma adaptação para a Literatura do gênero de comédia muito em voga nos EUA, o Stand UP Comedy. Na nossa versão, contará com um convidado por programa, que lerá seus textos” em pé” diante de uma platéia e com transmissão ao vivo pela Internet. O público participa no local e também por meio de chat.

A convidada deste domingo é a poeta Andréa del Fuego. Andréa del Fuego é autora da trilogia de contos Minto enquanto posso, Nego tudo e Engano seu (projeto contemplado com a bolsa de incentivo à criação literária da Secretaria do Estado de São Paulo) e dos juvenis Sociedade da Caveira de Cristal e Quase caio; integra as antologias: Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século, 30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira, Capitu mandou flores (Geração Editorial, 2008), entre outras. É graduanda em Filosofia na PUC-SP e mantém o blog www.delfuego.zip.net

Sarau Desamordaçados

Que tal ouvir e ler um pouco de Desamordaçados?

Sarau Desamordaçados, leitura de contos da Antologia 39 - Oficina de Criação Literária de Luiz Antonio de Assis Brasil. Não poderei ir, mas certamente bons amigos me representarão.

Quando? 27 de novembro, sexta-feira.
Que hora? 19h
Onde? Palavraria (Rua Vasco da Gama, 165 - Porto Alegre)

Entrada franca, leituras honestas.

Mediação de Marcelo Noah.

Venha discutir o futuro do livro e da literatura

Organização de Marcelo Spalding

Começa amanhã a I Semana de Literatura Digital da Feira do Livro de Porto Alegre, não perca essa oportunidade única de debater com escritores e professores os desafios e oportunidades da literatura na Era Digital.

As atividades serão realizadas na Casa do Pensamento e na Ducha das Letras (Área Infantil e Juvenil - Cais do Porto).

ENTRADA FRANCA | VAGAS LIMITADAS

Inscrições pelo visitacaoescolar@camaradolivro.com.br ou 51 3433 7757, com Carla

TEMAS DEBATIDOS
- O leitor e a leitura na Era Digital
- O futuro do livro
- Como aproveitar as novas tecnologias no ensino de literatura
- Os novos gêneros literários: ciberpoema, hiperconto

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira, 11 de novembro

19h30min às 21h
A literatura na Era Digital: possibilidades e desafios
mesa-redonda com Ruben Penz, Dodô Azevedo e Luiz Paulo Faccioli - Casa do Pensamento.

Quinta-feira, 12 de novembro

14h às 14h50min
Os ciberpoemas
bate-papo com Mônika Papescu, para público jovem - Casa do Pensamento.

15h às 15h50min
O miniconto
bate-papo com Ana Mello, para público jovem- Casa do Pensamento.

16h30min às 18h
Narrar em hipertexto na Era Digital
oficina com Marcelo Spalding (módulo 1) - Casa do Pensamento.
(esta oficina ocorre nos dias 12, 13 e 14)

16h30min às 18h
Blog-se: dicas textuais e técnicas para blogueiros
oficina com Mauro Paz (módulo 1) - Ducha das Letras.
(esta oficina ocorre nos dias 12, 13 e 14)

19h30min
O leitor da Era Digital: como aproveitar as novas tecnologias no ensino de literatura
mesa-redonda com Paula Mastroberti e Ana Klauck - Casa do Pensamento.

Sexta-feira, 13 de novembro

14h às 14h50min
Literatura na Era da Internet

Bate-papo com Índigo, para público jovem - Casa do Pensamento.

15h às 15h50min
Literatura na Era da Internet

Bate-papo com Dodô Azevedo, para público jovem - Casa do Pensamento.

16h30min às 18h
Módulo II das oficinas de Mauro Paz e Marcelo Spalding

19h30min às 21h
O futuro do livro

Mesa-redonda com Ana Gruszynski, Índigo e Paulo Tedesco - Casa do Pensamento.

Sábado, 14 de novembro

14h às 14h50min
I Mostra de blogs e narrativas digitais – 1ª sessão

Marcelo Spalding, Mauro Paz e Nanni Rios - Casa do Pensamento

16h30min às 18h
Módulo III das oficinas de Mauro Paz e Marcelo Spalding

19h30min às 21h
I Mostra de blogs e narrativas digitais – 2ª sessão

Marcelo Spalding, Mauro Paz e Nanni Rios - Casa do Pensamento

Blog-se

Entre 12 e 14 de novembro, estarei na Feira do Livro de Porto Alegre com a oficina Blog-se. A ideia original era trazer dicas de como montar e alimentar um blog. No entanto, estou pensando em algo diferente. Considerando o horário da oficina bem complicado para quem trabalha, das 16h30 às 18h, repartirei em TRÊS momentos:

1) Panorama sobre a literatura na internet (12/11)
2) Criação de um site coletivo pra galera postar seus trabalhos (13/11)
3) Criação de campanha para ativação do site (14/11)

Pensei esse terceiro momento no sábado pra juntar os amigos publicitários que queiram participar desse exercício de criação.

Oficina Blog-se

ENTRADA FRANCA

com Mauro Paz
Dias 12, 13 e 14 de novembro, das 16h30min às 18h
Ducha das Letras - Área Infanto-Juvenil da Feira do Livro de POA

Confira a programação completa da semana em www.literaturadigital.com.br

Bastardos Inglórios e A garota azul do lago

Sábado, vi Bastardos Inglórios, com meu amigo Tiago Moralles. Não vou falar muito sobre o filme, pra não estragar a surpresa de quem quer ver. E se você não quer ver, deveria. É muito divertido. Além da atuação impagável do Brad Pitt e os personagens caricatos que são a marca do Tarantino, o filme faz uma reflexão muito boa sobre a produção cinematográfica.

No entanto, o filme de Tarantino foi a desculpa que faltava para eu adiar a escrita do romance que planejei para esse segundo semestre. Sábado mesmo dei início a uma novelinha trash: A garota azul do lago. Faz tempo que queria escrever algo bem fantasioso para diversão própria, sem grandes reflexos.

Então, aguarde. Serão seis capítulos, com direito a trilha sonora. Nessa semana, acabo o primeiro e decido como publicar.

Fincapata e Toc-toc

Hoje é a vez de mais dos contos do Duas Ruas de um Beco, Fincapata e Toc-toc. O primeiro, no site, conta o que acontece quando a musa Claudia Caswel surge na vida de um rapaz ingênuo de uma pequena cidade do interior. O segundo, nas ruas, é o primeiro conto que escrevi tendo o frentista como protagonista. Toc-toc é inspirado num ex-vizinho que tive no apartamento da João Pessoa.

Fincapata está na Antologia Desamordaçados, lançada sábado (01/08) em Porto Alegre. Não pude comparecer, mas os relatos são ótimos. Na Feira do Livro terá outra tarde de autógrafos, espero que seja entre os dias que estarei por lá ministrando o curso sobre blogs literários.

É amanhã, sábado

No próximo sábado, 1º de Agosto, acontecerá o lançamento da antologia de contos dos alunos da Oficina de Criação Literária da PUC ministrada pelo escritor e Doutor em Letras Luiz Antonio de Assis Brasil, no Cultural. DesAMORdaçados apresenta o trabalho de treze autores e é editada pela Libretos, com organização de Assis Brasil e prefácio da escritora Cíntia Moscovich. Clô Barcellos assina o design gráfico do livro. A ilustração de capa é de Carlos Filho.

O evento integra uma nova programação, o BateBocaBom Cultural, um bate-papo informal em torno da temática de uma obra e ocorre no Caminho do Livro. A iniciativa é da Câmara Rio-Grandense do Livro, que promove o hábito da leitura e fomenta o mercado livreiro do centro da Capital. Nesta primeira edição, Luiz Antonio de Assis Brasil, Léa Masina e Marcelo Spalding debatem sobre Criação Ficcional no Auditótio Erico Verissimo.

A partir das 13h, no Map Café Cultural, os novos autores autografam ao som do piano de Geraldo Flach.

DesAMORdaçados apresenta três contos de cada um dos participantes, alguns oriundos do universo das letras, como Gabriela Silva e Viviane Grespan; outros da Comunicação Social - Marinella Peruzzo, Luciane Godinho da Silva, Ana Santos, Ana Kessler e Mauro Paz ou do Direito - Elisa Beylouni, Mariza Baur e Cícero Krupp da Luz. E alguns, ainda, de áreas diversas, como Juliana Eichenberg (biologia), Leonardo Wittmann (cinema) e Stela Rates (farmácia). No exercício da busca de uma dicção narrativa, todos já revelam sua personalidade literária.

A oficina foi instituída em 1985 e funciona, de modo ininterrupto há 24 anos, no âmbito do Curso de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, sendo a mais antiga em atividade no Brasil. Nela já passaram nomes que hoje figuram a literatura do sul e do Brasil: Letícia Wierschowski, Amilcar Bettega, Daniel Galera, Cíntia Moscovich, Marcelo Spalding, Carol Bensimon, Bernardo Moraes, Monique Revillion, entre outros tantos. Em 2005, recebeu o prêmio “Fato Literário”, quando comemorou 20 anos de existência.

Serviço:

O quê: lançamento de DesAMORdaçados - antologia dos contos

Quando: 1º de agosto

Onde:Instituto Cultural - R. Riachuelo, 1257 - Centro - Porto Alegre

Hora: 11:30

DesAMORdaçados - Editora Libretos, 2009 - 160 páginas - Preço – R$ 25,00 - Formato: 14cm x 21cm - ISBN – 978-85-88412-26-2 - Org: Luiz Antonio de Assis Brasil

A arte de produzir efeito sem causa

Terminei de ler “A arte de produzir efeito sem causa”, de Lourenço Mutarelli, autor de “Cheiro do Ralo” e gostei muito. Com uma escrita precisa, Lourenço cria uma espiral decadente que começa quando Júnior larga a mulher, o emprego e vai morar no apartamento do pai. Do sofá pra, pro bar. Do bar, por aí. Sem perspectiva, Júnior empurra os dias, até que chega a primeira caixa.

Assim como em “Trilogia de NY”, de Paul Auster, o mistério que permeia “A arte de produzir efeito sem causa” é pano de fundo para discutir questões existenciais da personagem.
Escute também a opinião do autor:

Por Vinte Minutos

Mauro Paz, 24/06/2005

Ele sentou, olhou para o relógio e viu que estava vinte minutos atrasado. Em noites frias como aquela, detestava deixa-la esperando, mas não podia fazer mais nada. Se não fosse o tempo que ele perdeu com o zíper emperrado, chegaria a tempo. O grande problema de chegar atrasado era ela desconfiar e indagar sobre o que estava fazendo, com quem e onde. Como iria responder a essas perguntas? Ele não podia deixar dúvidas. No decorrer dos cinco anos em que estavam juntos, ela se mostrou uma companheira quase perfeita, com ressalva a fumar de manhã cedo.

Na sala, ela batia o pé. Via a novela das oito e pensava como esconderia quando ele chegasse. Há dias que estava saturada, sentia vontade de contar tudo: como, porque, com quem. No entanto, não sabia se valeria a união de cinco anos, pois ele era cara quase perfeito, com ressalva a mijar fora da patente.

O ônibus dobra a última esquina antes do ponto. Lembra de limpar as mãos. A sujeira o denunciaria de cara. Pegou um papel de dentro da pasta e limpou dedo por dedo, depois as palmas.

O cachorro da primeira casa da rua latiu. Ela sabia que ele estava chegando. Olhou para o forno, a carne não estava pronta. Percebeu as duas xícaras na mesa. Levantou e guardou uma.

Ele chegou. Contaram do dia. Jantaram. Transaram. Dormiram quase certos de que era o melhor a fazer.

O Beco

Mauro Paz 20/07/2005

O BECO é frio, escuro e não espera. Estava lá mais uma vez. Detestava o lugar, mas não havia outro caminho. Era necessário. Calculou as circunstâncias, no entanto o contexto QUASE o obrigava. Por mais que se importasse, há situações em que é obrigado a pensar: o mundo que se exploda, agora sou eu.

Sempre teve culpa por escolhas assim. Preocupa-se com a opinião dos demais. Muitos o consideram covarde por essas atitudes, como se nunca passassem pelo BECO.

Tentou esquecer a opinião pública. Bateu a poeira. E fugiu, com a esperança de que, DESTA VEZ, ninguém o tenha visto com as mãos sujas.

Lançamento Desamordaçados

Amigos de Porto Alegre, provavelmente, não estarei no lançamento. Peço, porém, que compareçam e compre o livro. Tirando meus contos, tem coisa muito boa no livro.

Boneco e Tua mãe e outras garotas

Hoje é o dia de mais dois contos do Duas Ruas de um Beco. Boneco está no site e Tua mãe e outras garotas, nas ruas. Esse segundo conto é muito especial pra mim, pois conta a história de uma amiga. Leia aqui a história real. Caso não o encontre pelas ruas, está na antologia Desamordaçados, que será lançada dia 01/08, em Porto Alegre.

Rodrigo

Por Mauro Paz

Vermelho, preto e verde é só o que Rodrigo enxerga. Final da Copa do Brasil. Flamengo e Internacional. Setenta mil pessoas no Maracanã. Trinta e cinco minutos do segundo tempo, zero-a-zero. O empate leva o time gaúcho ao título. A multidão rubro e negra grita a cada lance.

Rogério para Marquinhos, que dribla o meia do Internacional e devolve pra Rogério. O craque entra na grande área. Prepara o chute. Derrubado. A torcida levanta num grito só.

A onda vermelha rompe a tensão superficial do ar. Verde e azul é só o que Rodrigo vê. Sozinho, inerte. Rodrigo, a grama, o céu, Rodrigo. Inspira, escuta o vento cortar o gramado. Cada vez mais perto. Mais forte. Mais perto. Mais forte. Corre, corre. Corre tão rápido que o cérebro não comanda as pernas. Os passos se perdem na imensidão verde e azul desprovida de uma única árvore para Rodrigo agarrar.

O vento segue no encalço de Rodrigo, brinca de o alcançar. O azul começa a devorar o verde à sua frente. No mesmo passo em que o chão acaba, o vento arremessa Rodrigo de volta ao estádio.

Apito, o juiz dá tiro de meta. A torcida cala, explode. A multidão rubra e negra derrama-se no gramado. Destroça o juiz. Rodrigo assiste imóvel ao espetáculo de som e fúria e tempo real.

Não Toca

Por Mauro Paz (07/2005)


São onze e quarenta e nove, quarta-feira, e ninguém ligou. Passou o dia todo em casa e nada. O telefone podia estar quebrado. Pegou o celular e fez o teste: o telefone fixo chamou sem problema algum. Estanho que durante um dia todo ninguém ligue. Veja bem, devemos levar em conta que da hora em que acordou, oito e dez da manhã, até agora, onze e cinquenta da noite, são quinze horas e quarenta minutos sem nenhum telefone chamar. Ou seja, ninguém sentiu a sua falta nem ao menos para resolver algum problema.

Num momento como esse, começa a se perguntar: O que fiz errado? Sou um bom amigo, filho exemplar, dedicado namorado? O quê? Nem a namorada ligou e já são onze e cinquenta e dois. Come o último bombom da caixa, serve um cálice de vinho. O que aconteceu tão interessante durante o dia que ninguém se dignou a pegar o telefone sequer para ver como estava?
Onze e cinquenta e cinco o telefone toca.

— Alô.
— Alô. Topa sexo anal?
— Como?
— É, por traz. Tipo cachorro.
— Com quem o senhor quer falar?
— Marcelão Vinte Centímetros.
— Meu senhor, aqui não tem nenhum Marcelão.
— Mas não precisa ser o Marcelão. Quantos centímetros tu tem? Topa sexo anal?
— Meu senhor, ligou pro número errado, aqui moro só eu, e não trabalho nesse ramo.
— Ok. Mas sabe de alguém que possa quebrar o galho?
— Não, meu senhor. Boa noite.

Onze e cinquenta e oito e o único telefonema foi de um velho à procura de sexo anal. Tem dias na vida em que só coisas estranhas acontecem. Pega o jornal de domingo > classificados > acompanhantes: Carla, morena, tipo ninfeta, universitária, corpo escultura. Prazer garantido.
Na última esperança de que alguém ligue, mira fixamente o celular. Meia-noite, quinta–feira, não se contem:

— Alô, Carla?
— Sim.
— Topa sexo anal?

A Praia e velhos contos

Como anunciei no Twitter, encontrei no HD alguns contos que escrevi entre 2004 e 2005. Não dá pra dizer que todos são contos, mas sofrerão algumas mudanças e virão para o blog. Além de fugirem da minha atual proposta de escrita, não há unidade alguma no conjunto desses textos. Postarei no blog porque acho interessante o registro dessa fase passada. O primeiro da série é A Praia.

A Praia

Por Mauro Paz

Dez da manhã. O céu sem nuvens, nada de vento. Escuto o mar, pessoas se divertindo e Jammin, do Bob Marley. Pego a prancha e caminho. A areia é fina, branca, polvilhada. A água verde toca os pés, morna. Não há corrente. Chego fácil ao outside. Cinco ou seis surfistas alternam-se nas ondas. Um metro e meio, tubulares. Remo. Dropo. A onda derrete rápida. Corro a parede, nenhuma preocupação. Distribuo o repertório.

A onda acaba na beira da praia. Remo em direção ao outside. Nuvens, a água marrom. Vento. Os banhistas saem da beira. O mar inquieta-se. Ao fundo, engorda a onda. Tem a altura de um prédio de sete andares. Alguns remam para dropá-la. Remo rumo ao outside. A onda quebra, arremessa-me na beira. A água toma a praia, e as cadeiras, e as bancas, e o cimento do calçadão.

Uma série de cinco ondas se levanta. Pessoas gritam, correm, retornam pra pegar pertences. Sacudo a cabeça. Testo os sentidos. E volto a remar. Subo a parede da primeira onda. Não consigo furar. Quebra. Estrondo. Luta. A água entra pelo pulmão. O corpo afunda. Canso. E acordo pronto pra surfar.

O Assalto e O Diário

Estou muito satisfeito com o resultado do Duas Ruas de um Beco.  Amanhã completa um mês que tudo começou e o projeto já soma mais de 2000 acessos e 300 contos pelas ruas. Acredito que apenas com a versão impressa, o texto nunca conseguiria essa abrangência.

Segunda, 22/07, mais dois contos seguiram seus rumos: O Assalto pelas ruas e O Diário no site.

Alcides e Rodando

Hoje, mais dois contos de Duas Ruas de um Beco seguem seus rumos: Alcides pelas ruas e Rodando no site do projeto.

Pra quem ainda não sabe, Duas Ruas de um Beco é um projeto de publicação que iniciei dia 25/05. A cada duas semanas, um conto vai pras ruas e outro para o site do projeto. Acompanhe e mande sua opinião.

Metamorfose

Resposta errada, diz o Gênio. Raios translúcidos saem de suas mãos. Penetram meu peito. O estômago revira, como ao efeito de iogurte de ameixa. Sacripantas! Contraio os músculos. Inútil. As narinas se alargam, a boca. Pêlos vertem da pele. O focinho cresce ao rosto. Orelhas se esticam. Minhas feições a mercê da satânica massinha de modelar. Os dedos contraem-se. Ganho grandes cascos. Pernas, braços mudam de articulações. Ah, se minha mãe me visse assim. “Não criei filho pra andar de quatro.” Por fim, o mais desmoralizante, um rabo longo e peludo na ponta. Ao menos, agora posso excluir os e-mails “aumente seu pênis”.

Exercício de implícitos

Nem lembrava que tinha escrito esse texto. A Ana Santo lembrou ontem. É divertido até.

- Vaca.
- Ainda acordado?
- Rameira.
- Agressão gratuita?
- Quantos?
- Nenhum, mas bem que…
- Quem nasce para vintém, nunca chega a tostão.
- Pelo menos, naquele tempo, tinha o que comer.
- Belo prêmio por sustentar você e a velha.
- Não preciso de nada seu. Posso me virar sozinha.
- Isso não é nenhuma novidade.
- Não vou mais suportar isso. Longe daqui, mamãe não escutará mais suas baixarias.
- A velha até surda é.
- Mas sente o cheiro de podre.
- Já vão tarde.
- Um minuto. (silêncio) Esse apartamento é de mamãe?
- Então eu parto, mas minha viagem não tem volta.
Do quarto:
- Presenteou algum dos seus machos com meu revólver?
- Pagou a última conta de luz com ele.
- Devia ter desconfiado. Casando com uma p… minha vida seria uma zona.

No ar: Duas Ruas de um Beco

Hoje dei início ao projeto DUAS RUAS DE UM BECO. Mais do que uma antologia de contos, DUAS RUAS DE UM BECO é uma proposta alternativa que rompe com o mercado editorial e alia internet e livro impresso de forma independente. Ao todo são 16 contos.  A cada duas semanas, um novo conto ganhará as ruas de diversas cidades do Brasil e, simultaneamente, o conto irmão estará em www.mauropaz.com.br/duasruas.

Juntar os 16 contos, tarefa impossível.

Mas você pode adquirir o impresso exclusivo com os 16 contos, pelo contato: paz.mauro@gmail.com

Acompanhe.

Stand up Literatura com Andréa del Fuego

Data: 17/05 – domingo
Local: Av. Paulista, 509 – Cerqueira César – Tel.: 2167-9900
Horário: 15h
Convidada: Andrea del Fuego

Sinopse: Programa quinzenal, com uma hora de duração, transmitido ao vivo pela TV Cronópios www.cronopios.com.br.
O programa é uma adaptação para a Literatura do gênero de comédia muito em voga nos EUA, o Stand UP Comedy. Na nossa versão, contará com um convidado por programa, que lerá seus textos” em pé” diante de uma platéia e com transmissão ao vivo pela Internet. O público participa no local e também por meio de chat.

A convidada deste domingo é a poeta Andréa del Fuego. Andréa del Fuego é autora da trilogia de contos Minto enquanto posso, Nego tudo e Engano seu (projeto contemplado com a bolsa de incentivo à criação literária da Secretaria do Estado de São Paulo) e dos juvenis Sociedade da Caveira de Cristal e Quase caio; integra as antologias: Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século, 30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira, Capitu mandou flores (Geração Editorial, 2008), entre outras. É graduanda em Filosofia na PUC-SP e mantém o blog www.delfuego.zip.net