Ia ter briga na escola

No sinal, 12h. No portão, alvoroço. No banheiro, as machonas faziam o acordo de paz.

No nick do msn,

Amo a VIDA e o meu AMOR.
O remédio fez efeito.

18:30

Carros parados, fumaça e vontade de chegar em casa. Esse é o retrato das principais cidades do mundo às 18:30. A mesma tranqueira que consome o tempo também é matéria criativa do novo trabalho do microcontista Samir Mesquita, que segue a proposta de buscar suportes não convencionais para os seus textos. Os microcontos de 18:30 são possíveis de lerm em dois formatos: no “livro” impresso, um grande engarrafamento no qual cada carro traz uma história; ou no site, clicando nos carrinhos.

O primeiro trabalho de Samir, Dois Palitos, também tem suportes muito interessante: na versão on-line, a cada fósforo riscado, surge um novo texto; na versão impressa, os textos encontram-se em caixas de fósforo personalizadas. Tirar o texto da estante é uma ótima saída para o microconto que cabe no Twitter, em cartazes de rua e, como no caso de Dois Palitos, numa caixa de fósforo.

O microconto é uma boa saída para leitores e autores que, a cada dia, encontram menos tempo para se dedicar a grandes textos. Porém o que mais me chama a atenção nesse trabalho de Samir é a distribuição do livro. Para receber a versão impressa, você envia para o autor um dos livros de uma seleção prévia que “ajudarão na formação desse jovem escritor”. Interessante, ações assim me fazem pensar:

1) Com as novas formas de distribuição dos textos, do que viverão os escritores?

2) Estará a indústria editorial entrando na mesma estrada da fonográfica?

#140

Microcontos não é minha praia, mas mandei alguns para a segunda edição do 140 Letras (concurso de microcontos via Twitter):

1 - Chove. Os olhos do guri fritam bits sangrentos. Gritos, morte e a chance de recomeçar. Na tela, a vida livre pra se aprisionar.
Preso, jamais conseguiria ajudar aquela puta tão certinha. Precisava de outro plano.

2 - 5ª ligação. Tá no trabalho, diz a mulher. Terno, camisa e nó na garganta. Na praça, empina a pinga. Ligará a 6ª e aí sim: Fui demitido.

3 - Indefesa, a cabeça no meu ombro. Relaxei. Construí, em segundos, 5 anos, que queimaram em 5 palavras: — Vem cá? / — Eu tô aqui.

4 - , era o tempo que restava. Emprego, aluguel, trânsito, família, fome, roupas, sono, nada importava. Esperava, só. E mal saíra da casca.

5 - Viu. Decifrou. E teve de revidar.

6 - Resposta errada, diz o Gênio. Raios penetram meu peito. Focinho. Orelhas. Cascos. Ao menos, posso excluir os “aumente seu pênis”.

7 - Juntou as folhas coloridas e saiu. Embalava a caixa craniana. Queria um motivo, uma simples memória. Nada. Todas estavam em branco.

8 - Num gole, bebeu nove anos de ilusões. A ressaca durou quase doze meses, mas se tornou uma exímia nadadora.

9 - A unha contorna o tomate. Crava. O sumo vem átona. Melhor em outro lugar, diz o quitandeiro. O menino espatifa a mulher: Mãe, te achei. [Esse acho que enviei depois da data]

Segunda edição do 140 Letras

Começou no último dia 19 e vai até dia 05 de maio, o @140 Letras concurso de microcontos via Twitter.

Regras básicas:

- Textos em português;
- Máximo 140 caracteres;
- E junto ao texto a tag #140 para identificação.

Cada participante pode inscrever quantos microcontos der na telha até 23h59 de 2/5/2009 (sábado).

Os jurados:

- Ator - Ivam Cabral (@ivamcabral);
- Produtora Cultural - Liliane Ferrari (@lilianeferrari);
- Escritora - Liliane Prata (@liliprata);
- Produtor Musical - Pena Schmidt (@penas);
- Publicitário - Tiago Moralles (@tfmoralles).

Maiores informações em http://140.zip.net/

Espasmo

, era o tempo que lhe restava. Emprego, aluguel, trânsito, família, fome, roupas, sono, nada importava mais. Esperava, só. E mal saíra da casca.

Ia ter briga na escola

No sinal, 12h. No portão, alvoroço. No banheiro, as machonas faziam o acordo de paz.

No nick do msn,

Amo a VIDA e o meu AMOR.
O remédio fez efeito.

18:30

Carros parados, fumaça e vontade de chegar em casa. Esse é o retrato das principais cidades do mundo às 18:30. A mesma tranqueira que consome o tempo também é matéria criativa do novo trabalho do microcontista Samir Mesquita, que segue a proposta de buscar suportes não convencionais para os seus textos. Os microcontos de 18:30 são possíveis de lerm em dois formatos: no “livro” impresso, um grande engarrafamento no qual cada carro traz uma história; ou no site, clicando nos carrinhos.

O primeiro trabalho de Samir, Dois Palitos, também tem suportes muito interessante: na versão on-line, a cada fósforo riscado, surge um novo texto; na versão impressa, os textos encontram-se em caixas de fósforo personalizadas. Tirar o texto da estante é uma ótima saída para o microconto que cabe no Twitter, em cartazes de rua e, como no caso de Dois Palitos, numa caixa de fósforo.

O microconto é uma boa saída para leitores e autores que, a cada dia, encontram menos tempo para se dedicar a grandes textos. Porém o que mais me chama a atenção nesse trabalho de Samir é a distribuição do livro. Para receber a versão impressa, você envia para o autor um dos livros de uma seleção prévia que “ajudarão na formação desse jovem escritor”. Interessante, ações assim me fazem pensar:

1) Com as novas formas de distribuição dos textos, do que viverão os escritores?

2) Estará a indústria editorial entrando na mesma estrada da fonográfica?

#140

Microcontos não é minha praia, mas mandei alguns para a segunda edição do 140 Letras (concurso de microcontos via Twitter):

1 - Chove. Os olhos do guri fritam bits sangrentos. Gritos, morte e a chance de recomeçar. Na tela, a vida livre pra se aprisionar.
Preso, jamais conseguiria ajudar aquela puta tão certinha. Precisava de outro plano.

2 - 5ª ligação. Tá no trabalho, diz a mulher. Terno, camisa e nó na garganta. Na praça, empina a pinga. Ligará a 6ª e aí sim: Fui demitido.

3 - Indefesa, a cabeça no meu ombro. Relaxei. Construí, em segundos, 5 anos, que queimaram em 5 palavras: — Vem cá? / — Eu tô aqui.

4 - , era o tempo que restava. Emprego, aluguel, trânsito, família, fome, roupas, sono, nada importava. Esperava, só. E mal saíra da casca.

5 - Viu. Decifrou. E teve de revidar.

6 - Resposta errada, diz o Gênio. Raios penetram meu peito. Focinho. Orelhas. Cascos. Ao menos, posso excluir os “aumente seu pênis”.

7 - Juntou as folhas coloridas e saiu. Embalava a caixa craniana. Queria um motivo, uma simples memória. Nada. Todas estavam em branco.

8 - Num gole, bebeu nove anos de ilusões. A ressaca durou quase doze meses, mas se tornou uma exímia nadadora.

9 - A unha contorna o tomate. Crava. O sumo vem átona. Melhor em outro lugar, diz o quitandeiro. O menino espatifa a mulher: Mãe, te achei. [Esse acho que enviei depois da data]

Segunda edição do 140 Letras

Começou no último dia 19 e vai até dia 05 de maio, o @140 Letras concurso de microcontos via Twitter.

Regras básicas:

- Textos em português;
- Máximo 140 caracteres;
- E junto ao texto a tag #140 para identificação.

Cada participante pode inscrever quantos microcontos der na telha até 23h59 de 2/5/2009 (sábado).

Os jurados:

- Ator - Ivam Cabral (@ivamcabral);
- Produtora Cultural - Liliane Ferrari (@lilianeferrari);
- Escritora - Liliane Prata (@liliprata);
- Produtor Musical - Pena Schmidt (@penas);
- Publicitário - Tiago Moralles (@tfmoralles).

Maiores informações em http://140.zip.net/

Espasmo

, era o tempo que lhe restava. Emprego, aluguel, trânsito, família, fome, roupas, sono, nada importava mais. Esperava, só. E mal saíra da casca.