VMB 2009 RS

Ontem foi uma noite única pra música gaúcha. Como vocês já devem saber, só deu RS no VMB. Chimaruts (melhor banda de Reggae), Fesno (melhor banda pop), Pública (melhor banda alternativa) e Pata de Elefante (melhor banda de rock instrumental). O que acho mais bacana é ver o reconhecimento nacional dessas bandas que a tanto tempo ralam lá pelos pampas. E que, muitas vezes, por lá não foram reconhecidas. Minha felicidade é também por quase toda essa galera ser da minha geração e eu ter tocado com alguns deles.

Lembro quando tocava num bar de Belém Novo e lá também tocava a desconhecida Pata de Elefante, hoje disparada a melhor banda de rock instrumental do Brasil. Sucesso guris.

Frank Jorge em São Paulo

Achei que não chegaria a tempo. Foi uma sexta-feira daquelas. Depois te fechar uns quantos jobs, organizar os pertences pra mudança de lugares da agência e ficar preso no trânsito, chegamos ao Itaú Cultural 20h10. O show do Beto Só tinha começado pouco antes. Não curti muito o som do cara. Mas eu estava lá por outro motivo: Frank Jorge. E valeu a pena.

Frank começou com Elvis, música nova, mas já um clássico do rock gaúcho, que tem no refrão uma das melhores frases que escutei ano passado: “Elvis na fase decadente é bem melhor que muita gente”. Frases como essa e “Um pouco de talento não faz mal a ninguém” são o que fazem eu gostar tanto das letras do cara. Coloquial, cotidiano, irônico e autêntico características que são assinatura do rock gaúcho desde os tempos do Cascaveletes.

Entre alguns hits antigos e músicas do último disco Frank tocou uma peculiar versão de Time to Pretend, MGMT. Procurei no youtube e achei uma gravação feita no Long Play, em Porto Alegre. Confere aí:

The Killers + Tangos e Tragédias

Fiquei feliz em ver que a fonte do Jupiter Maçã não secou. A simplicidade com que ele se reinventa utilizando elementos que estão caindo de maduro me impressiona. E faz lamentar pela pobreza criativa de bandas que só fazem copiar. Olha o novo clipe co cara:

Reparação

Feche a porta pra ninguém ver
Os teus braços tão marcados
Cacos perto da TV

Feche os olhos e tente ir
Lá pro alto da floresta
Onde tudo começou

Eu também não sei
Por onde o encontrar
Quais pegadas seguir
O estranho passou

E não importa
teus cabelos espalhados pelo chão
roupa rasgada, sangue
porta arrombada e o chupão

Eu também não sei
Por onde o encontrar
Quais pegadas seguir
O estranho passou
Deus eu quero sumir

*Reparação é a letra de uma música que fiz para a Banda Clint. Confira o mp3 tosco que coloquei no myspace.

Duelo Fail

Praça, bancos, olhos, sei
As folhas murchas, lei
Cores de outono ao longe
E sob meus sapatos
O rio de esponjas se abriu

Damas, noite, copos, seis
Cartas, fumaça, reis
Trinca de Ases, sobras de outro baralho
E alguém viu

Fotos da viagem
Notícias breves
A vida toda cabe num trem
Partiu

Letra de música que escrevi para a Banda da Clint, extinta Device.
Essas e outras gravações toscas, clique aqui.

Casa Abandonada

Hoje que descobri esse clipe novo da Pública. Muito bacana e ainda tem o Marcelão e o Fred. Como não vi antes.

Lembrando, amanhã tem show dos caras em São Paulo com a Apolonio. Confira aqui.

Floresta de Esmeraldas

Não nega que sou
Não nega que tem asas cobertas
Por penas de falcão

Não nega que vou
Não nega que o mar escorre solto
Nas fendas da tua mão

Palavras, roupas, portas,
todas querendo o real
Na sala, a velha rouca
chora as flores de um funeral

Tuas sombras da caverna
Mantém nossa conversa
Mais além, o tempo mais além

Os teus olhos derretidos
Contêm os comprimidos cor do sol,
o brilho cor dum anzol
partido lá na casa onde
a ideia quer pescar.

Letra de uma música que escrevi por esses dias.
Caso queira escutar está com outras gravações toscas aqui.

Julho tem Pública em São Paulo

Pra quem não conhece, a Pública é uma das boas novidades da nova geração do Rock Gaúcho. Com dez anos de estrada, a banda está no segundo disco, Como Num Filme Sem Um Fim (2009). Arranjos modernos, não modernosos, dão corpo às melodias que deixam o pé inquieto. As letras têm o rock como protagonista: um cara entre a adolescência e a idade adulta vagando por aí. Pela autenticidade, curti trabalho dos caras desde que vi o belo clipe de Long Plays, música do primeiro disco, Polaris.
Nunca escutou? Então, baixe Como Num Filme Sem Um Fim, é free. E, em julho,confira ao vivo Pública + Apolonio em duas apresentações:

17 de julho: [APOLONIO e Publica (RS)] CB BAR - SÃO PAULO/SP

18 de julho: [APOLONIO e Publica (RS)] JIVE - SÃO PAULO/SP

Caetano deprimido?

Li uma crítica de Pedro Alexandre Sanche, na Roling Stone de abril, detonando o disco novo do Caetano Zii & Zie. Além de dar apenas duas estrelas e meias, dizia que o disco mostra “um Caetano transparente, mas duro de ouvir. À gosma roxa de Cê somam-se agora modos de cantar do dono da banda, entre agressivo e lamuriosos ”.

Concordo que o Zii & Zie, a começar pelo nome, não é um disco de fácil digestão. Porém, euma bela obra na qual Caetano ensina os moderninhos como transitar entre a MPB e o Rock. As letras de fato são extremas: tristeza, consolo, resmungos. Está tudo lá. Poderia dizer, também, que se trata de Caetano transparente e deprimido. No entanto, prefiro considerar a grande sensibilidade de um poeta-musical que consegue contrapor a tensão entre o novo e o velho de forma tão sincera que soa como a própria dor.

Escute e tire suas conclusões. Eu dou quatro estrelas.

Frio, vento e o DVD acústico Superguidis

O vento sul entrava pela fresta da japona. Eram dezoito horas, eu e mais cinco ou seis pessoas esperávamos em frente ao Cultura Rock Clube. Depois de vinte minutos, no frio, finalmente deixaram que entrássemos. Quarenta minutos na ante-sala e trinta minutos aguardado os músicos passarem o som. O show da Superguidis começou com uma hora e trinta de atraso. Na platéia gente de todas as idades. Encontrei um ex-aluno e um ex-professor. A informalidade de todos estarem em casa, fez com que a banda se enrolasse ainda mais entre uma música e outra. Pouco se perdeu, porém, nas adaptações para violão dos rocks.

Os riffs, a levada e, principalmente as letras, fazem com que eu considere a Superguidis a melhor banda gaúcha, depois da parada da Ultramen. Não só o sotaque entrega que os rapazes são do sul, a forma simples com que mostram o cotidiano e refletem sobre temas universais sem sair de perto de casa, também. Como nos versos de “Mais um dia de cão”:

Moro nesse mesmo bairro a mais de vinte anos
Já plantei o meu destino em mudas de eucalipto
A cidade fede
A cidade engorda
A cidade arrota os ossos-do-ofício

Hoje eu já não mais esqueço por onde andei
o que eu passei em mais um dia de cão

Tem uns três anos que admiro o trabalho da Superguidis, porém só ontem os escutei ao vivo. Confirmei minha impressão: são autênticos. Talvez por não serem da capital, o quarteto é de Guaiba (cidade satélite), não caiam nos mesmos vícios das bandas de Porto Alegre. Também, por isso, não tenham o devido reconhecimento na Capital gaúcha. No entanto, isso pouco importa, os guris tão no caminho certo e fora do RS tem grande reconhecimento. Tanto que”A Amarga Sinfonia do Superstar” (2006) foi considerado um dos melhores álbuns de rock pela BIZZ e pela Tramavirtual.

Agora é só aguardar o DVD. Tentem me achar. Estava com a tradicional jaqueta laranja. Escute mais Superguidis no myspace.

Os bons e Novos Baianos

Em março do ano passado, postei:

“Parece piada, mas os melhores discos que parei para escutar este ano foram gravados faz mais de trinta anos. O primeiro já falei aqui pelo blog, trata-se do Clube da Esquina , Obra-prima do Milton Nascimento e do Lô Borges. O Segundo é o disco Acabou Chorare lançado no ano de 1972 pelos, então, hipongas Novos Baianos.
Certamente, você já escutou diversas músicas desse disco que reúne hit como, Preta Pretinha, Brasil Pandeiro e A Menina Dança. Porém, o que mais me chamou a atenção, ao ESCUTAR esse disco, foi o conjunto da obra. João Gilberto, Tropicália e Rock se integram perfeitamente para pintar a cara de um Brasil que contrapõe o moderno e a raiz.
Sem dúvida, vale conferir quantas vezes for preciso o trabalho de Morais, Pepeu, Baby, Boca de Cantor, Jorginho e Luis Dias Galvão. Escuto muita coisa que tem sido produzida e de fato falta sensibilidade para os criadores musicais de hoje alcançarem o poder de síntese de exemplos como João Gilberto, Novos Baianos, Tropicália e Clube da Esquina.”

Pra minha surpresa, Os Novos Baianos se reunirão para tocar na Virada Cultural. Faça sua programação. É entre 2 e 3 de maio.

Resumo do fim de semana

Depois de sete GRENAIS sem ganhar dos moranguinhos, finalmente, uma boa notícia, Roth está fora. O que já é um ótimo motivo pra começar a semana com o pé direito. Mas como o Grêmio tomou de novo e o Rubinho, bem, o Rubinho é o Rubinho, falemos do que realmente vale ser falado, cultura. Não sai muito de casa, mas consegui escutar alguns discos que estavam na minha pasta de pendentes. Vamos a eles:

Roberto, Caetano e a musica de Tom Jobim
Ao contrário do que pensei, é um ótimo disco. Arranjos na medida, interpretações moderadas honram o nome de tom no título do disco.

Ney Matogrosso – Inclassificáveis
Surpreendente. Não haveria nome melhor para o álbum. Em 17 faixas, Ney mostra que o quão é atual dando belos arranjos a novos e velhos sucessos. Destaco: Leve, Divino Maravilhosos, Ode aos Ratos e Coisas da Vida no melhor estilo Secos e Molhados. http://www2.uol.com.br/neymatogrosso/

Jam da Silva – Dia Santo
Música instrumental/eletrônica Brasileira. Muito swing e sofisticação em produções muito distantes do lugar comum. Poutz, só tenho escutado coisa nova e boa de Recife. http://www.myspace.com/jamdasilva

Sobrado 112 – Desmanche
Samba novo carioca sem ostentação, na medida. Guitarras bem colocadas, swing, melodias originais, letras interessantes. http://www.sobrado112.com/

Sonantes
A junção entre Céu, Dengue, Gui Amabis, Pupillo e Rica Amabis. Bem, podemos dizer que de Recife também. Excelente trabalho de percussão e aranjos, fino. A melhor faixa, na minha opinião, é Toque de Coito. http://www.myspace.com/sonantes
Ah! Também vi o Homem de Ferro que estava na minha lista de lacunas cinematográficas. É bacana o filme, vai. Achei o roteiro mais simples e melhor explorado do que do último Homem Aranha.

Prendeu os pés no chão e galhos saíram pelo nariz

Num dia de janeiro. Uma da tarde. A sala da criação com as luzes apagadas. Mesas vazias. À direita um diretor de arte usa fones redondos, assiste um episódio de Lost no computador. Vou até minha mesa. Sento. Envelopes de trabalhos, folhas de rascunhos e a parceira Bic. Mas trabalho só às duas. Abro o botão da calça jeans. Ligo o monitor. Os braços esticam. Inspiro. Favoritos > Revistas> Rolling Stone > “25 melhores discos nacionais de 2008”. Entre a lista, um desconhecido “Curumin – Japan Pop Show”. Ctrl+C. Google. Ctrl+V. http://www.myspace.com/curumin Fones de ouvido. Player > Compacto. Reclino a cadeira com a satisfação e expectativa de apreciar um vinil novo. O riff dá o start. O baixo toca Você - Tim Maia. O violão, Magnólia - Jorge Ben. A bateria, A menina dança - Novos Baianos. As primeiras palavras da letra colam meus pés no chão. Os galhos saem pelas narinas. Nos extremos, crescem maçãs verdes, avermelham. Uma solta do galho. Apanho no ar. Ando de bicicleta. Apanho mais outra. Danço no escuro. Por sorte, apanho 13 maçãs. Coloco-as sobre a mesa. E levo bons dois meses apreciando, sosseganinho, um dos melhores discos de música brasileira que escutei nos últimos cinco anos.

Curumin - “Compacto”

Blog x Twitter

Tá. Agora valendo, todo dia um novo post com alguma coisa interessante que eu tenha lido, visto, vivido. Mas espere aí, uma coisa só é muito pouco. As pessoas querem tudo, o mais legal, o mais diferente, bizarro, inteligente. E querem tudo agora. Então, vamos começar de novo. Meu nome é Mauro Paz e eu sou um viciado em Twitter. Drágeas de informação de diversas fontes a cada instante. Nada mal.

Passei a manhã de hoje pensando algo bacana que eu pudesse postar no blog. A primeira coisa que veio à cabeça foi a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, que recebi o link (http://www.myspace.com/skabrazooka) ontem da Giovana. A banda toca clássicos da música brasileira em ritmos de reggae e ska. Muito bom. No entanto, já havia disparado pelo Twitter. Então, o desafio passou a ser achar algo não twitável.

Bem, o twitter comporta apenas 140 caracteres, enquanto no blog cabem quantos der na telha. Ótimo. Escreverei, então, sobre alguma opinião minha. Mas porque não colocar apenas um link sobre o assunto, uma marcação como #Genial e twitar? Minha opinião nem é tão importante assim.
Hei, Mauro. Você é um redator, redatores escrevem. E só há um jeito de escrever bem, escrevendo. OK.
Então, mesmo que ninguém leia, escreverei, pois ao menos exercito. Vamos lá:
Segunda-feira. Acordei e, como todo dependente, liguei o computador. Enquanto a cafeteira fazia seu serviço, abri o gmail. Piada, trabalho, propaganda. Quem sabe algo interessante no twiiter. Entre links de vídeos bestas e pareceres do tipo “Aí, hoje meu cabelo está horrível”, a mensagem: “Oficina Literária com Ana Rusche”. O link dava no site http://www.obarco.com.br. Depois de desistir da oficina devida às minhas restrições de redator desempregado, conferi o restante do site. Oficina com Marcelino Freira, exposições, teatro, artes plásticas. Bacana. But, no Money, no honey. Até que li na capa do site “Palestra do Ruy Castro – dia 01/04 19h30”. Assim mesmo sem assunto, nem maiores informações. Nem precisava. Depois de ler Chega de Saudade e me apaixonar por bossa nova, se o Ruy Castro estiver na esquina falando do Fluminense, preciso ver. Conferi o endereço do O_barco no Google maps. “Como chegar”, “Transporte público”. Pertinho de casa, ótimo!

A fila de carros na Ministro Godoy, rua da Puc, anunciava, o fim da tarde. Jaqueta jeans, bloquinho e lá vamos nós. O B_arco fica na Virgílio de Carvalho. Perto do Cemitério em Pinheiros. O prédio tem entrada estreita, paredes brancas, quadros de artistas contemporâneos e três estantes afastadas apresentam bons títulos de livros nacionais e estrangeiros. No centro do hall, uma bancada. O homem de camisa branca toma o expresso. Vozes, livros, gargalhadas. O rapaz de mochila olha a estante. Fala com um barbudo. “Blá-blá-blá-Marcelino-blá-blá-blá”. Como é, Marcelino? Olhei de novo. Marcelino Freire. “Prazer, Mauro Paz. Sou de Porto Alegre e agora estou em São Paulo”. Falamos sobre a oficina dele e comentei sobre as oficinas que cursei em Porto Alegre. A conversa foi interrompido pelo horário. Ruy chegará e a palestra ai começar.

Ruy lançava seu último livro, Carmen – uma biografia. Os limites entre verdade e mentira, fato e ficção, dados e sentimentos foram tratados nas duas horas que seguiram. Declaradamente em estado de paixão pela biografada, Ruy a defendeu de declarações como “Carmen apresentou para o mundo uma caricatura de Brasil, os brasileiros não eram assim”. Podiam não ser assim, mas amavam Carmen do jeito que era. Assim como amam tantas outras hoje. A palestra encerrou com Ruy lendo s últimos instantes de vida de Carmen, que refletem a grande estrela que foi. Morreu no quarto, sozinha, depois de se despedir aos beijos de uma sala cheia de pessoas que a amavam e foram conferir o que ocorrerá no programa de Jymmi Durante. Confira no vídeo abaixo (3min 55 segundo), o instante ela tem um infarto.
Escrevi demais, mesmo para um blog. Por hoje, fica a dica do livro do Ruy.

Fuga Casa Verde

Não olha assim
porque cheguei.
Queria que eu
deixasse a vida inteira adoecer?

O quarto torto,
o pé no chão,
a lua, o claro,
num canto, o vão.

Vozes trancando
o lamento dos hospedes.

Remédios pesados demais
forçam a entender.
O pano tosco
travando os braços pra trás
Nas salas, jalecos, doutores,
café com jornais.

Tentei fugir,
mais de uma vez,
mas sempre
enfermeiros grisalhos
fizeram eu descer.

O muro. A um salto,
a rua, um não.
A escada, o golpe,
o choque são.

Retrato obsceno
tirado com força e dor.

Às vezes restava só acreditar.
Em casa, sozinha, você a esperar,
guardando as palavras certas pra dizer:
Meu bem, você sempre tão desacostumado.

Confira a música em www.myspace.com/mauropazsong

Micareta do Senhor

Axé pra quem tem fé, Pó pára com pó - Jake. Homenagem ao Fábio Assunção.

Genial

Pra quem não sabe, nesse show ela estava brigada com o Cesar Camargo Mariano. No fim do show eles tocam juntos e protagonizam um momento lindo da MPB, mas não achei o vídeo.

Dia histórico para o mercado de refrigerantes

Depois de 17 anos, o Guns lançou hoje Chinese Democracy, o disco que de esperado passou a piada. Pelo que escutei, continua o mesmo Guns de sempre com alguns ingredientes que deram certo no rock/pop em todos esses anos em que Axl e sua turma ficaram “em estúdio”. Detectei até umas pitadas do lamentável Linkin Park.
Talvez, mais do que lembrado pelo lançamento do disco, hoje seja lembrado pelo dia que cada americano teve direito a um refrigerante grátis. Isso mesmo, a marca de refri Dr. Pepper havia prometido uma latinha para cada americano caso o Guns lançasse o desacreditado disco.

Escuta lá http://www.myspace.com/gunsnroses

Primeiro Clipe Little Joy

Achei bacana o clipe. Mostra bem a casualidade do encontro dessa banda-projeto-temporário.

Gancho Fim

Os homens gritam fazem festa
E eu aqui nesse porão
Ouvindo os ratos
Roer meu nome

Lá fora rola rum
em meio aos tiros de canhão
E a carne ferve
Solta os ossos

Hoje era para ser o dia mais feliz
Mas eu não posso
Não consigo encarar

Eu matei Peter Pan
Eu matei Peter Pan
E foi tão fácil

Eu matei Peter Pan
Eu matei Peter Pan
O que eu faço?

Na ilha, as fadas voam
Levam o corpo do menino
Segue o cortejo

Não, não pode ser tão tarde
Com tanta claridade
Eu deixei de existir

São dois meios que se abrem
Repartem a cara e caem
No estrondo que ele foi
Eu me fui

Eu matei Peter Pan
Eu matei Peter Pan
E foi tão fácil

Eu matei Peter Pan
Eu matei Peter Pan
O que eu faço?

Agora o motim é eminente
Os homens só esperam eu levantar

Na prancha, a venda, o vento, o corpo
O crocodilo, um poço, não vai regurgitar

Eu matei Peter Pan
Eu matei Peter Pan
O que me resta
É deixar me levar

Escute em http://www.myspace.com/mauropazsong

VMB 2009 RS

Ontem foi uma noite única pra música gaúcha. Como vocês já devem saber, só deu RS no VMB. Chimaruts (melhor banda de Reggae), Fesno (melhor banda pop), Pública (melhor banda alternativa) e Pata de Elefante (melhor banda de rock instrumental). O que acho mais bacana é ver o reconhecimento nacional dessas bandas que a tanto tempo ralam lá pelos pampas. E que, muitas vezes, por lá não foram reconhecidas. Minha felicidade é também por quase toda essa galera ser da minha geração e eu ter tocado com alguns deles.

Lembro quando tocava num bar de Belém Novo e lá também tocava a desconhecida Pata de Elefante, hoje disparada a melhor banda de rock instrumental do Brasil. Sucesso guris.

Frank Jorge em São Paulo

Achei que não chegaria a tempo. Foi uma sexta-feira daquelas. Depois te fechar uns quantos jobs, organizar os pertences pra mudança de lugares da agência e ficar preso no trânsito, chegamos ao Itaú Cultural 20h10. O show do Beto Só tinha começado pouco antes. Não curti muito o som do cara. Mas eu estava lá por outro motivo: Frank Jorge. E valeu a pena.

Frank começou com Elvis, música nova, mas já um clássico do rock gaúcho, que tem no refrão uma das melhores frases que escutei ano passado: “Elvis na fase decadente é bem melhor que muita gente”. Frases como essa e “Um pouco de talento não faz mal a ninguém” são o que fazem eu gostar tanto das letras do cara. Coloquial, cotidiano, irônico e autêntico características que são assinatura do rock gaúcho desde os tempos do Cascaveletes.

Entre alguns hits antigos e músicas do último disco Frank tocou uma peculiar versão de Time to Pretend, MGMT. Procurei no youtube e achei uma gravação feita no Long Play, em Porto Alegre. Confere aí:

The Killers + Tangos e Tragédias

Fiquei feliz em ver que a fonte do Jupiter Maçã não secou. A simplicidade com que ele se reinventa utilizando elementos que estão caindo de maduro me impressiona. E faz lamentar pela pobreza criativa de bandas que só fazem copiar. Olha o novo clipe co cara:

Reparação

Feche a porta pra ninguém ver
Os teus braços tão marcados
Cacos perto da TV

Feche os olhos e tente ir
Lá pro alto da floresta
Onde tudo começou

Eu também não sei
Por onde o encontrar
Quais pegadas seguir
O estranho passou

E não importa
teus cabelos espalhados pelo chão
roupa rasgada, sangue
porta arrombada e o chupão

Eu também não sei
Por onde o encontrar
Quais pegadas seguir
O estranho passou
Deus eu quero sumir

*Reparação é a letra de uma música que fiz para a Banda Clint. Confira o mp3 tosco que coloquei no myspace.

Duelo Fail

Praça, bancos, olhos, sei
As folhas murchas, lei
Cores de outono ao longe
E sob meus sapatos
O rio de esponjas se abriu

Damas, noite, copos, seis
Cartas, fumaça, reis
Trinca de Ases, sobras de outro baralho
E alguém viu

Fotos da viagem
Notícias breves
A vida toda cabe num trem
Partiu

Letra de música que escrevi para a Banda da Clint, extinta Device.
Essas e outras gravações toscas, clique aqui.

Casa Abandonada

Hoje que descobri esse clipe novo da Pública. Muito bacana e ainda tem o Marcelão e o Fred. Como não vi antes.

Lembrando, amanhã tem show dos caras em São Paulo com a Apolonio. Confira aqui.

Floresta de Esmeraldas

Não nega que sou
Não nega que tem asas cobertas
Por penas de falcão

Não nega que vou
Não nega que o mar escorre solto
Nas fendas da tua mão

Palavras, roupas, portas,
todas querendo o real
Na sala, a velha rouca
chora as flores de um funeral

Tuas sombras da caverna
Mantém nossa conversa
Mais além, o tempo mais além

Os teus olhos derretidos
Contêm os comprimidos cor do sol,
o brilho cor dum anzol
partido lá na casa onde
a ideia quer pescar.

Letra de uma música que escrevi por esses dias.
Caso queira escutar está com outras gravações toscas aqui.

Julho tem Pública em São Paulo

Pra quem não conhece, a Pública é uma das boas novidades da nova geração do Rock Gaúcho. Com dez anos de estrada, a banda está no segundo disco, Como Num Filme Sem Um Fim (2009). Arranjos modernos, não modernosos, dão corpo às melodias que deixam o pé inquieto. As letras têm o rock como protagonista: um cara entre a adolescência e a idade adulta vagando por aí. Pela autenticidade, curti trabalho dos caras desde que vi o belo clipe de Long Plays, música do primeiro disco, Polaris.
Nunca escutou? Então, baixe Como Num Filme Sem Um Fim, é free. E, em julho,confira ao vivo Pública + Apolonio em duas apresentações:

17 de julho: [APOLONIO e Publica (RS)] CB BAR - SÃO PAULO/SP

18 de julho: [APOLONIO e Publica (RS)] JIVE - SÃO PAULO/SP

Caetano deprimido?

Li uma crítica de Pedro Alexandre Sanche, na Roling Stone de abril, detonando o disco novo do Caetano Zii & Zie. Além de dar apenas duas estrelas e meias, dizia que o disco mostra “um Caetano transparente, mas duro de ouvir. À gosma roxa de Cê somam-se agora modos de cantar do dono da banda, entre agressivo e lamuriosos ”.

Concordo que o Zii & Zie, a começar pelo nome, não é um disco de fácil digestão. Porém, euma bela obra na qual Caetano ensina os moderninhos como transitar entre a MPB e o Rock. As letras de fato são extremas: tristeza, consolo, resmungos. Está tudo lá. Poderia dizer, também, que se trata de Caetano transparente e deprimido. No entanto, prefiro considerar a grande sensibilidade de um poeta-musical que consegue contrapor a tensão entre o novo e o velho de forma tão sincera que soa como a própria dor.

Escute e tire suas conclusões. Eu dou quatro estrelas.

Frio, vento e o DVD acústico Superguidis

O vento sul entrava pela fresta da japona. Eram dezoito horas, eu e mais cinco ou seis pessoas esperávamos em frente ao Cultura Rock Clube. Depois de vinte minutos, no frio, finalmente deixaram que entrássemos. Quarenta minutos na ante-sala e trinta minutos aguardado os músicos passarem o som. O show da Superguidis começou com uma hora e trinta de atraso. Na platéia gente de todas as idades. Encontrei um ex-aluno e um ex-professor. A informalidade de todos estarem em casa, fez com que a banda se enrolasse ainda mais entre uma música e outra. Pouco se perdeu, porém, nas adaptações para violão dos rocks.

Os riffs, a levada e, principalmente as letras, fazem com que eu considere a Superguidis a melhor banda gaúcha, depois da parada da Ultramen. Não só o sotaque entrega que os rapazes são do sul, a forma simples com que mostram o cotidiano e refletem sobre temas universais sem sair de perto de casa, também. Como nos versos de “Mais um dia de cão”:

Moro nesse mesmo bairro a mais de vinte anos
Já plantei o meu destino em mudas de eucalipto
A cidade fede
A cidade engorda
A cidade arrota os ossos-do-ofício

Hoje eu já não mais esqueço por onde andei
o que eu passei em mais um dia de cão

Tem uns três anos que admiro o trabalho da Superguidis, porém só ontem os escutei ao vivo. Confirmei minha impressão: são autênticos. Talvez por não serem da capital, o quarteto é de Guaiba (cidade satélite), não caiam nos mesmos vícios das bandas de Porto Alegre. Também, por isso, não tenham o devido reconhecimento na Capital gaúcha. No entanto, isso pouco importa, os guris tão no caminho certo e fora do RS tem grande reconhecimento. Tanto que”A Amarga Sinfonia do Superstar” (2006) foi considerado um dos melhores álbuns de rock pela BIZZ e pela Tramavirtual.

Agora é só aguardar o DVD. Tentem me achar. Estava com a tradicional jaqueta laranja. Escute mais Superguidis no myspace.

Os bons e Novos Baianos

Em março do ano passado, postei:

“Parece piada, mas os melhores discos que parei para escutar este ano foram gravados faz mais de trinta anos. O primeiro já falei aqui pelo blog, trata-se do Clube da Esquina , Obra-prima do Milton Nascimento e do Lô Borges. O Segundo é o disco Acabou Chorare lançado no ano de 1972 pelos, então, hipongas Novos Baianos.
Certamente, você já escutou diversas músicas desse disco que reúne hit como, Preta Pretinha, Brasil Pandeiro e A Menina Dança. Porém, o que mais me chamou a atenção, ao ESCUTAR esse disco, foi o conjunto da obra. João Gilberto, Tropicália e Rock se integram perfeitamente para pintar a cara de um Brasil que contrapõe o moderno e a raiz.
Sem dúvida, vale conferir quantas vezes for preciso o trabalho de Morais, Pepeu, Baby, Boca de Cantor, Jorginho e Luis Dias Galvão. Escuto muita coisa que tem sido produzida e de fato falta sensibilidade para os criadores musicais de hoje alcançarem o poder de síntese de exemplos como João Gilberto, Novos Baianos, Tropicália e Clube da Esquina.”

Pra minha surpresa, Os Novos Baianos se reunirão para tocar na Virada Cultural. Faça sua programação. É entre 2 e 3 de maio.

Resumo do fim de semana

Depois de sete GRENAIS sem ganhar dos moranguinhos, finalmente, uma boa notícia, Roth está fora. O que já é um ótimo motivo pra começar a semana com o pé direito. Mas como o Grêmio tomou de novo e o Rubinho, bem, o Rubinho é o Rubinho, falemos do que realmente vale ser falado, cultura. Não sai muito de casa, mas consegui escutar alguns discos que estavam na minha pasta de pendentes. Vamos a eles:

Roberto, Caetano e a musica de Tom Jobim
Ao contrário do que pensei, é um ótimo disco. Arranjos na medida, interpretações moderadas honram o nome de tom no título do disco.

Ney Matogrosso – Inclassificáveis
Surpreendente. Não haveria nome melhor para o álbum. Em 17 faixas, Ney mostra que o quão é atual dando belos arranjos a novos e velhos sucessos. Destaco: Leve, Divino Maravilhosos, Ode aos Ratos e Coisas da Vida no melhor estilo Secos e Molhados. http://www2.uol.com.br/neymatogrosso/

Jam da Silva – Dia Santo
Música instrumental/eletrônica Brasileira. Muito swing e sofisticação em produções muito distantes do lugar comum. Poutz, só tenho escutado coisa nova e boa de Recife. http://www.myspace.com/jamdasilva

Sobrado 112 – Desmanche
Samba novo carioca sem ostentação, na medida. Guitarras bem colocadas, swing, melodias originais, letras interessantes. http://www.sobrado112.com/

Sonantes
A junção entre Céu, Dengue, Gui Amabis, Pupillo e Rica Amabis. Bem, podemos dizer que de Recife também. Excelente trabalho de percussão e aranjos, fino. A melhor faixa, na minha opinião, é Toque de Coito. http://www.myspace.com/sonantes
Ah! Também vi o Homem de Ferro que estava na minha lista de lacunas cinematográficas. É bacana o filme, vai. Achei o roteiro mais simples e melhor explorado do que do último Homem Aranha.

Prendeu os pés no chão e galhos saíram pelo nariz

Num dia de janeiro. Uma da tarde. A sala da criação com as luzes apagadas. Mesas vazias. À direita um diretor de arte usa fones redondos, assiste um episódio de Lost no computador. Vou até minha mesa. Sento. Envelopes de trabalhos, folhas de rascunhos e a parceira Bic. Mas trabalho só às duas. Abro o botão da calça jeans. Ligo o monitor. Os braços esticam. Inspiro. Favoritos > Revistas> Rolling Stone > “25 melhores discos nacionais de 2008”. Entre a lista, um desconhecido “Curumin – Japan Pop Show”. Ctrl+C. Google. Ctrl+V. http://www.myspace.com/curumin Fones de ouvido. Player > Compacto. Reclino a cadeira com a satisfação e expectativa de apreciar um vinil novo. O riff dá o start. O baixo toca Você - Tim Maia. O violão, Magnólia - Jorge Ben. A bateria, A menina dança - Novos Baianos. As primeiras palavras da letra colam meus pés no chão. Os galhos saem pelas narinas. Nos extremos, crescem maçãs verdes, avermelham. Uma solta do galho. Apanho no ar. Ando de bicicleta. Apanho mais outra. Danço no escuro. Por sorte, apanho 13 maçãs. Coloco-as sobre a mesa. E levo bons dois meses apreciando, sosseganinho, um dos melhores discos de música brasileira que escutei nos últimos cinco anos.

Curumin - “Compacto”

Blog x Twitter

Tá. Agora valendo, todo dia um novo post com alguma coisa interessante que eu tenha lido, visto, vivido. Mas espere aí, uma coisa só é muito pouco. As pessoas querem tudo, o mais legal, o mais diferente, bizarro, inteligente. E querem tudo agora. Então, vamos começar de novo. Meu nome é Mauro Paz e eu sou um viciado em Twitter. Drágeas de informação de diversas fontes a cada instante. Nada mal.

Passei a manhã de hoje pensando algo bacana que eu pudesse postar no blog. A primeira coisa que veio à cabeça foi a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana, que recebi o link (http://www.myspace.com/skabrazooka) ontem da Giovana. A banda toca clássicos da música brasileira em ritmos de reggae e ska. Muito bom. No entanto, já havia disparado pelo Twitter. Então, o desafio passou a ser achar algo não twitável.

Bem, o twitter comporta apenas 140 caracteres, enquanto no blog cabem quantos der na telha. Ótimo. Escreverei, então, sobre alguma opinião minha. Mas porque não colocar apenas um link sobre o assunto, uma marcação como #Genial e twitar? Minha opinião nem é tão importante assim.
Hei, Mauro. Você é um redator, redatores escrevem. E só há um jeito de escrever bem, escrevendo. OK.
Então, mesmo que ninguém leia, escreverei, pois ao menos exercito. Vamos lá:
Segunda-feira. Acordei e, como todo dependente, liguei o computador. Enquanto a cafeteira fazia seu serviço, abri o gmail. Piada, trabalho, propaganda. Quem sabe algo interessante no twiiter. Entre links de vídeos bestas e pareceres do tipo “Aí, hoje meu cabelo está horrível”, a mensagem: “Oficina Literária com Ana Rusche”. O link dava no site http://www.obarco.com.br. Depois de desistir da oficina devida às minhas restrições de redator desempregado, conferi o restante do site. Oficina com Marcelino Freira, exposições, teatro, artes plásticas. Bacana. But, no Money, no honey. Até que li na capa do site “Palestra do Ruy Castro – dia 01/04 19h30”. Assim mesmo sem assunto, nem maiores informações. Nem precisava. Depois de ler Chega de Saudade e me apaixonar por bossa nova, se o Ruy Castro estiver na esquina falando do Fluminense, preciso ver. Conferi o endereço do O_barco no Google maps. “Como chegar”, “Transporte público”. Pertinho de casa, ótimo!

A fila de carros na Ministro Godoy, rua da Puc, anunciava, o fim da tarde. Jaqueta jeans, bloquinho e lá vamos nós. O B_arco fica na Virgílio de Carvalho. Perto do Cemitério em Pinheiros. O prédio tem entrada estreita, paredes brancas, quadros de artistas contemporâneos e três estantes afastadas apresentam bons títulos de livros nacionais e estrangeiros. No centro do hall, uma bancada. O homem de camisa branca toma o expresso. Vozes, livros, gargalhadas. O rapaz de mochila olha a estante. Fala com um barbudo. “Blá-blá-blá-Marcelino-blá-blá-blá”. Como é, Marcelino? Olhei de novo. Marcelino Freire. “Prazer, Mauro Paz. Sou de Porto Alegre e agora estou em São Paulo”. Falamos sobre a oficina dele e comentei sobre as oficinas que cursei em Porto Alegre. A conversa foi interrompido pelo horário. Ruy chegará e a palestra ai começar.

Ruy lançava seu último livro, Carmen – uma biografia. Os limites entre verdade e mentira, fato e ficção, dados e sentimentos foram tratados nas duas horas que seguiram. Declaradamente em estado de paixão pela biografada, Ruy a defendeu de declarações como “Carmen apresentou para o mundo uma caricatura de Brasil, os brasileiros não eram assim”. Podiam não ser assim, mas amavam Carmen do jeito que era. Assim como amam tantas outras hoje. A palestra encerrou com Ruy lendo s últimos instantes de vida de Carmen, que refletem a grande estrela que foi. Morreu no quarto, sozinha, depois de se despedir aos beijos de uma sala cheia de pessoas que a amavam e foram conferir o que ocorrerá no programa de Jymmi Durante. Confira no vídeo abaixo (3min 55 segundo), o instante ela tem um infarto.
Escrevi demais, mesmo para um blog. Por hoje, fica a dica do livro do Ruy.

Fuga Casa Verde

Não olha assim
porque cheguei.
Queria que eu
deixasse a vida inteira adoecer?

O quarto torto,
o pé no chão,
a lua, o claro,
num canto, o vão.

Vozes trancando
o lamento dos hospedes.

Remédios pesados demais
forçam a entender.
O pano tosco
travando os braços pra trás
Nas salas, jalecos, doutores,
café com jornais.

Tentei fugir,
mais de uma vez,
mas sempre
enfermeiros grisalhos
fizeram eu descer.

O muro. A um salto,
a rua, um não.
A escada, o golpe,
o choque são.

Retrato obsceno
tirado com força e dor.

Às vezes restava só acreditar.
Em casa, sozinha, você a esperar,
guardando as palavras certas pra dizer:
Meu bem, você sempre tão desacostumado.

Confira a música em www.myspace.com/mauropazsong

Micareta do Senhor

Axé pra quem tem fé, Pó pára com pó - Jake. Homenagem ao Fábio Assunção.

Genial

Pra quem não sabe, nesse show ela estava brigada com o Cesar Camargo Mariano. No fim do show eles tocam juntos e protagonizam um momento lindo da MPB, mas não achei o vídeo.

Dia histórico para o mercado de refrigerantes

Depois de 17 anos, o Guns lançou hoje Chinese Democracy, o disco que de esperado passou a piada. Pelo que escutei, continua o mesmo Guns de sempre com alguns ingredientes que deram certo no rock/pop em todos esses anos em que Axl e sua turma ficaram “em estúdio”. Detectei até umas pitadas do lamentável Linkin Park.
Talvez, mais do que lembrado pelo lançamento do disco, hoje seja lembrado pelo dia que cada americano teve direito a um refrigerante grátis. Isso mesmo, a marca de refri Dr. Pepper havia prometido uma latinha para cada americano caso o Guns lançasse o desacreditado disco.

Escuta lá http://www.myspace.com/gunsnroses

Primeiro Clipe Little Joy

Achei bacana o clipe. Mostra bem a casualidade do encontro dessa banda-projeto-temporário.

Gancho Fim

Os homens gritam fazem festa
E eu aqui nesse porão
Ouvindo os ratos
Roer meu nome

Lá fora rola rum
em meio aos tiros de canhão
E a carne ferve
Solta os ossos

Hoje era para ser o dia mais feliz
Mas eu não posso
Não consigo encarar

Eu matei Peter Pan
Eu matei Peter Pan
E foi tão fácil

Eu matei Peter Pan
Eu matei Peter Pan
O que eu faço?

Na ilha, as fadas voam
Levam o corpo do menino
Segue o cortejo

Não, não pode ser tão tarde
Com tanta claridade
Eu deixei de existir

São dois meios que se abrem
Repartem a cara e caem
No estrondo que ele foi
Eu me fui

Eu matei Peter Pan
Eu matei Peter Pan
E foi tão fácil

Eu matei Peter Pan
Eu matei Peter Pan
O que eu faço?

Agora o motim é eminente
Os homens só esperam eu levantar

Na prancha, a venda, o vento, o corpo
O crocodilo, um poço, não vai regurgitar

Eu matei Peter Pan
Eu matei Peter Pan
O que me resta
É deixar me levar

Escute em http://www.myspace.com/mauropazsong