2º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre/2010

O 2º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, que será realizado de 12 a 20 de abril de 2010, têm o patrocínio da Caixa Econômica Federal e é uma realização do grupo Falos & Stercus, Prefeitura Municipal de Porto Alegre e Serviço Social do Comércio - SESC/RS.

As inscrições para a 2ª Edição do Festival, poderão ser efetuadas até 04 dezembro 2009, no Centro Municipal de Cultura Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues, na Coordenação de Artes Cênicas, Av. Érico Veríssimo, 307 – CEP 90160-181- Porto Alegre/RS de segunda à sexta-feira das 9h às 12h e das 14h às 17h.

Para concorrer, é necessário enviar fotos, release, rider técnico, um DVD com o espetáculo na íntegra e clipagem com artigos e noticias publicadas sobre o espetáculo. Não serão aceitas inscrições por e-mail.

Maiores informações:

E-mail: cac@smc.prefpoa.com.br

Fones: 051 3289.8061 e 3289.8062 - Artes Cênicas

Festa do Teatro 2009

Não, não se trata de nenhuma balada em um teatro abandonado. De 19 a 28 de junho acontece, em São Paulo, a Festa do Teatro, um evento que prevê a distribuição de 30 mil ingressos. A programação abrange desde peças de pequenos grupos até grandes produções. Mas fique atendo a retirada dos ingressos acontecem apenas dias 18, 23 e 26. Confira a data e horário para retiradas de ingressos na programação.

1° Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre‏

“Nada de procissão brilhante, cuja aproximação o povo deva orar e admirar-se: aqui, limitam-se a dar um sinal que anúncia que cada um pode mostrar-se tão louco e extravagante quanto quiser, e que com exceção dos golpes de punhal, quase tudo é permitido”. Goethe, escritor.

Mais um evento cultural para entrar na história da nossa Porto Alegre. De 21 a 28 de abril, acontecerá o 1° Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre. Com Patrocínio da Caixa Econômica Federal, Apoio Cultural da FUNARTE e Realização Conjunta com a Prefeitura de Porto Alegre.

Entre as atrações locais estão os principais grupos de teatro de rua de Porto Alegre: Oi Nóis Aqui Traveiz, Grupo Falos & Stercus, UTA – Usina do Trabalho do Ator e A Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais. Entre as atrações nacionais: o grupo LUME de São Paulo, o IMBUAçA de Sergipe e àQIS (Núcleo de estudo sobre processos de criação artística) de Santa Catarina.

“O 1° Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre é o registro artístico pertinente e imprescindível que diz respeito à reflexão e ao questionamento crítico aplicados à interpretação do fenômeno cênico do teatro de rua em suas relações com a sociedade viva e real. Sob a graça delicada e as convenções do teatro contemporâneo há uma descrição quase etnográfica da vida social da cidade. A complexa produção cênica do teatro de rua é também a representação ficcional da memória coletiva de um povo”. Amir Haddad, palestrante do Festival.

Dentro das atividades de formação está previsto o workshop “Abre-Alas” com os atores do LUME: Naomi Silman e Ricardo Puccetti. A oficina “Teatro de Rua como invasão da silhueta urbana”, com àQIS (Núcleo de estudo sobre processos de criação artística) de Santa Catarina. Além do Seminário “Teatro de RUA: Processos Contemporâneos”, que contará com a presença dos Grupos de Teatro do Rio Grande do Sul e convidados nacionais, entre eles: André Carreira, Doutor em Teatro pela Universidade de Buenos Aires e professor do Centro de Artes da UDESC. Amir Haddad, ator, diretor de teatro e teatrólogo brasileiro, fundou o grupo Ta na Rua, um dos mais importantes grupos de teatro experimental do Brasil. Defende um teatro pautado pela critica social e reflexão. Com Zé Celso Martinez Correa e Renato Borghi, criou em 1958 o Teatro Oficina. Hugo Possollo, diretor, autor e ator, artista polivalente, destacando-se como um dos criadores do grupo Parlapatões, Patifes & Paspalhões. E Narciso Telles, ator, pesquisador, doutor em Teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e professor do Curso de Teatro (licenciatura e bacharelado) do Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal de Uberlândia.

“Se a rua espelha a infinitude de formas de apresentação do homem. Podemos pressupor, então, que o homem, em resistência ao contexto que lhe é infringido, descarrega, nas ruas, o peso de tais imposições. Portanto pode-se concluir, que a rua apresenta a própria essência da linguagem do Teatro de Rua. Tal complexidade se presentifica no 1° Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, tanto pela diversidade artística dos grupos teatrais participantes, quanto pelo caráter da tessitura sígnica em que os opostos dialogam entre si, (ou não?)”. Alexandre Vargas, organizador.

Solicite as Fotos: Grupo Falos & Stercus/Espetáculo Mithologias do Clã/Fotografo Fernando Pires; Grupo UTA/Espetáculo A mulher que Comeu o Mundo/Fotografia de Myra Gonçalves; Grupo Ói Nóis Aqui Traveiz/O Amargo Santo da Purificação/Fotos de Cláudio E.

Informações:
Com/Alexandre Vargas - E-mail:alefalos@terra.com.br Tel: 51 3212.5737 ou 9119.6972Centro

Municipal de Cultura de Porto Alegre
Coordenação de Artes Cênicas
Telefones 3289 8064 / 3289 80 61 - E-mail: cac@smc.prefpoa.com.br

Alice

Peça em um ato inspirada no conto homônimo de Rubem Fonseca.

Personagens:
Pai
Mãe
Gabriel – garoto
Alice – professora
Lacerda – inspetor da secretaria de educação

CENA I
(Sala de estar. Meia Luz. Lacerda e Gabriel sentados ao fundo. Pai à frente do palco anda de um lado para o outro. Foco de luz direcionado no Pai. Olha o relógio.)

Pai – (para o público) É, as coisas estão mudadas. Hoje em dia, em tudo se vê maldade.
(Continua caminhando.)
Pai – (para o público) Que mal uma mulher pode fazer a um menino de quatorze anos? Imaginem se na minha época aconteceria uma coisa dessas.
(Pára no centro do palco.)
Pai – (para o público) Vocês não sabem do que estou falando, mas fiquem tranqüilos. (apontando para Larceda e Gabriel ao fundo) Pelo jeito, aqueles dois vão demorar. Terei tempo de contar tim-tim por tim-tim.
(Meia luz. Saem Larceda e Gabriel.)

Cena II
(Na escola, sentados à mesa, Alice, Pai e Mãe.)

Alice - Estão de parabéns, Gabriel é um ótimo menino.
(Pais sorriem agradecidos.)
Alice – É o caçula?
Pai – É o único.
Alice – Então, deve ser o xodó da casa.
Mãe – Tomamos cuidado para não mimá-lo demais. Há quem diga que a gagueira é devida a uma superproteção.
Alice – Bobagem. Com o tempo passa. Apesar da gagueira, aqui na escola, ele é muito sociável. Nunca se mete em confusão. Relaciona-se bem com os colegas e, principalmente, com as colegas. Daqui uns dois anos, preparem-se para fila de meninas desesperadas batendo na porta à procura do Gabriel.
(Pai ri.)
Mãe (séria) – E os estudos?
Alice – Esse foi o motivo pelo qual chamei os senhores aqui. O Gabriel está bem em quase todas as matérias, com exceção de língua portuguesa.
(Mãe sacode a cabeça em desaprovação. Pai arruma-se na cadeira.)
Alice – Sei que não devo me meter em questões fora da escola, mas acho que deveriam procurar um professor particular.
Pai – Pode ser uma boa solução.
Mãe (para o marido) – Com certeza é, mas… (para a professora) A senhora já deve ter percebido, não temos tanto dinheiro quanto as outras famílias da escola. Fazemos um esforço grande para mantê-lo numa escola particular.
Alice – Nesse caso, eu poderia ajudar.
Mãe – Jamais aceitaria. A senhora já faz muito por ele aqui na escola.
Alice – Não seria incomodo. É um bom menino. Precisa apenas só de um empurrãozinho.
Pai (para esposa) – Não queremos que o menino repita de ano, certo?
Alice – Então, terças e quintas, tenho as noites livres. As aulas podem ser na minha casa.
Mãe – Deve ter um milhão de ocupações além da escola: marido, filhos, casa pra arrumar.
Alice – Sou só. Minha vida basicamente é escola. Algumas horas de aula a mais não farão diferença.

(Meia luz. Alice e mãe saem de cena.)

Cena III
(Entra Gabriel. Senta à mesa. Pai e Gabriel esperam o jantar. Mãe entra trazendo forma imaginária.)
Gabriel (gaguejando) – Lasanha congelada de novo?
Mãe – Foi o que tive tempo de fazer.
Pai – De fato, cozinhar não é seu forte.
Mãe (braba) – Assim como ganhar dinheiro não é o seu.
(Mãe coloca a bandeja sobre a mesa.)
Pai – Não use esse tom de voz na frente do menino.
(Pai serve Gabriel.)
Mãe – Podíamos ter uma empregada.
(Mãe serve-se e ao marido. Gabriel come.)
Pai – Já temos despesas suficientes.
Mãe – Por falar nisso. Gabriel, falamos com sua professora hoje.
Gabriel (gaguejando) – Por que? Não fiz nada.
Mãe (para Gabriel) – E nem de bom. Ela disse que precisa de aulas particulares de português.
Gabriel (gaguejando)– Não quero mais aulas.
Pai (para Gabriel) – Alice propôs abrir mão de suas noites de folga para te dar aulas de reforço.
(Mãe larga os talheres.)
Mãe – Prefere repetir o ano e jogar fora todo trabalho que eu e teu pai tivemos para pagar aquela escola?
Gabriel debruça-se sobre a mesa.
Pai (afagando a cabeça do menino) – Tua mãe tem razão, filho.
(Meia luz.)

Cena IV
(Sentada Mãe penteia-se em frente ao espelho imaginário. Pai sentado em outra cadeira.)
Mãe – O que acha do Gabriel freqüentar a casa dessa mulher?
Pai –Ótimo.
Mãe – Ótimo? Não está certo. É solteira, mora sozinha.
Pai – Por favor, é só um menino. (levantando da cadeira) Não reparou que a gagueira está diminuindo?
Mãe – Reparou, também? (Pára de pentear)
(Pai retira o sapato.)
Pai – Dia desses, passei pela sala e ele estava lendo.
Mãe – Lendo?
Pai – Sim, lendo Machado de Assis.
(Pai retira meia.)
Mãe – Essa mulher é uma feiticeira. Uma feiticeira do bem. Nunca vi o Gabriel lendo, quem dera Machado de Assis, que nem eu tinha saco, nos tempos de escola.
Pai – Está levando a sério. Precisamos dar um crédito.
Mãe – Uma janta. Ofereceremos uma janta para agradecer.
Pai – Acha que ela aceitaria?
Mãe – Faço questão. É o mínimo.
Pai – Amanhã mandamos o convite pelo Gabriel.
Mãe – Pode ser sexta-feira. Saio do trabalho e vou ao supermercado compras os preparos. Farei aquela receita de strogonoff da mamãe.
(Apagam-se as luzes.)

Cena V
(Sentados à mesa, Pai e Alice.)
Alice –Não precisavam ter se preocupado.
Pai – Temos muito que lhe agradecer. Até a gagueira do menino sumiu.
Alice – Falei que seria coisa de tempo.
(Mãe entra carregando travessa imaginária. Põe sobre a mesa e toma seu lugar.)
Mãe – Espero que goste de strogonoff, receita de família.
Alice – Adoro.
Mãe – (para marido) E Gabriel?
Pai – No quarto.
Mãe – Esse menino. (Para a coxia) Gabriel, a janta está pronta.
(Gabriel entra em cena cabisbaixo e toma seu lugar.)
Pai – Nem cumprimenta a Alice, filho?
(Gabriel acena com a cabeça e permanece olhando para baixo.)
Mãe – Isso são modos?
Alice – Não se preocupem. Conheço bem a timidez de Gabriel. Como todas essas aulas, descobrimos muitas coisas um do outro.
Mãe – Esse é outro motivo pelo qual marcamos a janta. Não queremos interferir na sua vida. As notas do Gabriel melhoraram. Talvez as aulas não sejam mais necessárias.
(Gabriel olha para Alice.)
Alice – Não! Ele mostrou melhoras, mas pode render muito mais. Gabriel é um menino com muito potencial. Acredito que nas séries anteriores não recebeu a devida atenção.
Pai – Se é melhor para o menino. (Dá de ombros.)
Alice - (para o prato imaginário) Uhmmm, parece maravilhoso. (para mãe) Não vamos deixar que esfrie.
(Mãe sacode a cabeça em desaprovação.)
(Meia luz. Saem Alice e Gabriel.)

Cena VI
(Sala de estar. Mãe sentada assistindo televisão imaginária. Pai a frente do palco. Foco de luz direcionado.)
Pai – (para o público) O tempo passou, as aulas continuaram e a gagueira sumiu por completa. O menino? Tornou-se um leitor voraz. Abandonou o futebol, a televisão, até o vídeo game. Porém, minha esposa continuava cismada.
(Pai senta-se ao lado da mulher.)
Mãe – Que horas são?
Pai – Onze e pouco.
Mãe – Não está certo isso.
Pai – (apontando para televisão) Claro que está certo. Vilão tem que morrer.
Mãe – Não se faça de bobo.
Pai – É só um menino, por favor.
(Gabriel entra em cena)
Mãe – Isso são horas?
Gabriel – (olhando para baixo) A professora…
Mãe – Sei que Alice é muito prestativa, mas não está certo. Ela tem outras coisas para fazer.
Gabriel – (olhando para mãe) Ela pediu que eu ficasse.
Mãe – Não importa. Tem que te dar conta e sair. Nove horas é o limite, entendeu?
(Silêncio)
Mãe – Entendeu, Gabriel?
Gabriel – (olhando para baixo) Entendi.
Pai – Sua mãe tem razão, filho. Há essa hora, a rua é muito perigosa. E tu precisa acordar cedo.
Mãe – Assim me mata de preocupação.
Gabriel – Ok. Nove horas.
(Apagam-se as luzes.)

Cena VII
(Sala de estar. Lacerda a beira da porta imaginária. Pai lendo jornal. Som de campainha.)
Pai – Já vai.
(Pai caminha até a porta. Abre.)
Pai – Pois não.
Lacerda – Bom dia. Meu nome é Lacerda, sou inspetor da secretaria de educação.
Pai – E no que posso ajudar?
Lacerda - Tenho um assunto não muito agradável. Tem alguns minutinhos?.
Pai – Claro, entre.
(Lacerda entra. Senta em um dos acentos da sala. Meia Luz. Gabriel senta ao lado do homem. Pai vai à frente do palco. Foco de luz direcionado.)
Pai – (Para o público) Lacerda contou que estava investigando Alice. Três anos antes, ela foi acusada de seduzir um aluno da oitava série. Nada foi provado. Para evitar falatório na cidade pequena, onde trabalhava, a secretaria de educação transferiu-a para capital. Desde então, Lacerda está no seu encalço. Falou também que estava desconfiado que Alice e Gabriel. (Enrola as mãos.) Bem vocês sabem. Tentei convencê-lo de que Gabriel é só um menino. Porém de nada adiantou. Disse é que a lei é uma só; que medidas sérias deveriam ser tomadas caso se comprovasse o assédio; e que eu não estaria tão calmo se Gabriel fosse uma menina e Alice, um professor de educação física. Tive que buscar o menino na escola. (Impaciente) Desde então, Gabriel está nesse interrogatório. Não entendem, é só um menino.
(acendem as luzes.)

Cena VIII
(Lacerda e Gabriel se levantam. O inspetor aperta a mão do menino. O pai vai de encontro a eles.)
Lacerda – Gabriel foi muito bem.
Pai – Tem o que queria?
Lacerda – (para o pai) Sim. Em vinte anos de carreira, nunca me enganei.
(Pai e Gabriel se olham.)
Lacerda – Não há nada entre seu filho e aquela mulher. Agradeço o tempo que os dois me emprestaram.
Pai – Não foi nada. Agora, fico tranqüilo de saber que meu filho está em boas mãos. (Indicando o caminho da porta.)
Lacerda – Esse é meu dever. Espero não incomodá-los mais. Até.
(Lacerda sai de cena.)
Pai – Como combinamos?
(Gabriel sacode a cabeça em sinal positivo.)
Pai – Que sua mãe nunca saiba dessa visita. Adultos se preocupam demais.
(Pai passa a mão na cabeça do menino. Apagam-se as luzes.)

2º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre/2010

O 2º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, que será realizado de 12 a 20 de abril de 2010, têm o patrocínio da Caixa Econômica Federal e é uma realização do grupo Falos & Stercus, Prefeitura Municipal de Porto Alegre e Serviço Social do Comércio - SESC/RS.

As inscrições para a 2ª Edição do Festival, poderão ser efetuadas até 04 dezembro 2009, no Centro Municipal de Cultura Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues, na Coordenação de Artes Cênicas, Av. Érico Veríssimo, 307 – CEP 90160-181- Porto Alegre/RS de segunda à sexta-feira das 9h às 12h e das 14h às 17h.

Para concorrer, é necessário enviar fotos, release, rider técnico, um DVD com o espetáculo na íntegra e clipagem com artigos e noticias publicadas sobre o espetáculo. Não serão aceitas inscrições por e-mail.

Maiores informações:

E-mail: cac@smc.prefpoa.com.br

Fones: 051 3289.8061 e 3289.8062 - Artes Cênicas

Festa do Teatro 2009

Não, não se trata de nenhuma balada em um teatro abandonado. De 19 a 28 de junho acontece, em São Paulo, a Festa do Teatro, um evento que prevê a distribuição de 30 mil ingressos. A programação abrange desde peças de pequenos grupos até grandes produções. Mas fique atendo a retirada dos ingressos acontecem apenas dias 18, 23 e 26. Confira a data e horário para retiradas de ingressos na programação.

1° Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre‏

“Nada de procissão brilhante, cuja aproximação o povo deva orar e admirar-se: aqui, limitam-se a dar um sinal que anúncia que cada um pode mostrar-se tão louco e extravagante quanto quiser, e que com exceção dos golpes de punhal, quase tudo é permitido”. Goethe, escritor.

Mais um evento cultural para entrar na história da nossa Porto Alegre. De 21 a 28 de abril, acontecerá o 1° Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre. Com Patrocínio da Caixa Econômica Federal, Apoio Cultural da FUNARTE e Realização Conjunta com a Prefeitura de Porto Alegre.

Entre as atrações locais estão os principais grupos de teatro de rua de Porto Alegre: Oi Nóis Aqui Traveiz, Grupo Falos & Stercus, UTA – Usina do Trabalho do Ator e A Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais. Entre as atrações nacionais: o grupo LUME de São Paulo, o IMBUAçA de Sergipe e àQIS (Núcleo de estudo sobre processos de criação artística) de Santa Catarina.

“O 1° Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre é o registro artístico pertinente e imprescindível que diz respeito à reflexão e ao questionamento crítico aplicados à interpretação do fenômeno cênico do teatro de rua em suas relações com a sociedade viva e real. Sob a graça delicada e as convenções do teatro contemporâneo há uma descrição quase etnográfica da vida social da cidade. A complexa produção cênica do teatro de rua é também a representação ficcional da memória coletiva de um povo”. Amir Haddad, palestrante do Festival.

Dentro das atividades de formação está previsto o workshop “Abre-Alas” com os atores do LUME: Naomi Silman e Ricardo Puccetti. A oficina “Teatro de Rua como invasão da silhueta urbana”, com àQIS (Núcleo de estudo sobre processos de criação artística) de Santa Catarina. Além do Seminário “Teatro de RUA: Processos Contemporâneos”, que contará com a presença dos Grupos de Teatro do Rio Grande do Sul e convidados nacionais, entre eles: André Carreira, Doutor em Teatro pela Universidade de Buenos Aires e professor do Centro de Artes da UDESC. Amir Haddad, ator, diretor de teatro e teatrólogo brasileiro, fundou o grupo Ta na Rua, um dos mais importantes grupos de teatro experimental do Brasil. Defende um teatro pautado pela critica social e reflexão. Com Zé Celso Martinez Correa e Renato Borghi, criou em 1958 o Teatro Oficina. Hugo Possollo, diretor, autor e ator, artista polivalente, destacando-se como um dos criadores do grupo Parlapatões, Patifes & Paspalhões. E Narciso Telles, ator, pesquisador, doutor em Teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e professor do Curso de Teatro (licenciatura e bacharelado) do Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal de Uberlândia.

“Se a rua espelha a infinitude de formas de apresentação do homem. Podemos pressupor, então, que o homem, em resistência ao contexto que lhe é infringido, descarrega, nas ruas, o peso de tais imposições. Portanto pode-se concluir, que a rua apresenta a própria essência da linguagem do Teatro de Rua. Tal complexidade se presentifica no 1° Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, tanto pela diversidade artística dos grupos teatrais participantes, quanto pelo caráter da tessitura sígnica em que os opostos dialogam entre si, (ou não?)”. Alexandre Vargas, organizador.

Solicite as Fotos: Grupo Falos & Stercus/Espetáculo Mithologias do Clã/Fotografo Fernando Pires; Grupo UTA/Espetáculo A mulher que Comeu o Mundo/Fotografia de Myra Gonçalves; Grupo Ói Nóis Aqui Traveiz/O Amargo Santo da Purificação/Fotos de Cláudio E.

Informações:
Com/Alexandre Vargas - E-mail:alefalos@terra.com.br Tel: 51 3212.5737 ou 9119.6972Centro

Municipal de Cultura de Porto Alegre
Coordenação de Artes Cênicas
Telefones 3289 8064 / 3289 80 61 - E-mail: cac@smc.prefpoa.com.br

Alice

Peça em um ato inspirada no conto homônimo de Rubem Fonseca.

Personagens:
Pai
Mãe
Gabriel – garoto
Alice – professora
Lacerda – inspetor da secretaria de educação

CENA I
(Sala de estar. Meia Luz. Lacerda e Gabriel sentados ao fundo. Pai à frente do palco anda de um lado para o outro. Foco de luz direcionado no Pai. Olha o relógio.)

Pai – (para o público) É, as coisas estão mudadas. Hoje em dia, em tudo se vê maldade.
(Continua caminhando.)
Pai – (para o público) Que mal uma mulher pode fazer a um menino de quatorze anos? Imaginem se na minha época aconteceria uma coisa dessas.
(Pára no centro do palco.)
Pai – (para o público) Vocês não sabem do que estou falando, mas fiquem tranqüilos. (apontando para Larceda e Gabriel ao fundo) Pelo jeito, aqueles dois vão demorar. Terei tempo de contar tim-tim por tim-tim.
(Meia luz. Saem Larceda e Gabriel.)

Cena II
(Na escola, sentados à mesa, Alice, Pai e Mãe.)

Alice - Estão de parabéns, Gabriel é um ótimo menino.
(Pais sorriem agradecidos.)
Alice – É o caçula?
Pai – É o único.
Alice – Então, deve ser o xodó da casa.
Mãe – Tomamos cuidado para não mimá-lo demais. Há quem diga que a gagueira é devida a uma superproteção.
Alice – Bobagem. Com o tempo passa. Apesar da gagueira, aqui na escola, ele é muito sociável. Nunca se mete em confusão. Relaciona-se bem com os colegas e, principalmente, com as colegas. Daqui uns dois anos, preparem-se para fila de meninas desesperadas batendo na porta à procura do Gabriel.
(Pai ri.)
Mãe (séria) – E os estudos?
Alice – Esse foi o motivo pelo qual chamei os senhores aqui. O Gabriel está bem em quase todas as matérias, com exceção de língua portuguesa.
(Mãe sacode a cabeça em desaprovação. Pai arruma-se na cadeira.)
Alice – Sei que não devo me meter em questões fora da escola, mas acho que deveriam procurar um professor particular.
Pai – Pode ser uma boa solução.
Mãe (para o marido) – Com certeza é, mas… (para a professora) A senhora já deve ter percebido, não temos tanto dinheiro quanto as outras famílias da escola. Fazemos um esforço grande para mantê-lo numa escola particular.
Alice – Nesse caso, eu poderia ajudar.
Mãe – Jamais aceitaria. A senhora já faz muito por ele aqui na escola.
Alice – Não seria incomodo. É um bom menino. Precisa apenas só de um empurrãozinho.
Pai (para esposa) – Não queremos que o menino repita de ano, certo?
Alice – Então, terças e quintas, tenho as noites livres. As aulas podem ser na minha casa.
Mãe – Deve ter um milhão de ocupações além da escola: marido, filhos, casa pra arrumar.
Alice – Sou só. Minha vida basicamente é escola. Algumas horas de aula a mais não farão diferença.

(Meia luz. Alice e mãe saem de cena.)

Cena III
(Entra Gabriel. Senta à mesa. Pai e Gabriel esperam o jantar. Mãe entra trazendo forma imaginária.)
Gabriel (gaguejando) – Lasanha congelada de novo?
Mãe – Foi o que tive tempo de fazer.
Pai – De fato, cozinhar não é seu forte.
Mãe (braba) – Assim como ganhar dinheiro não é o seu.
(Mãe coloca a bandeja sobre a mesa.)
Pai – Não use esse tom de voz na frente do menino.
(Pai serve Gabriel.)
Mãe – Podíamos ter uma empregada.
(Mãe serve-se e ao marido. Gabriel come.)
Pai – Já temos despesas suficientes.
Mãe – Por falar nisso. Gabriel, falamos com sua professora hoje.
Gabriel (gaguejando) – Por que? Não fiz nada.
Mãe (para Gabriel) – E nem de bom. Ela disse que precisa de aulas particulares de português.
Gabriel (gaguejando)– Não quero mais aulas.
Pai (para Gabriel) – Alice propôs abrir mão de suas noites de folga para te dar aulas de reforço.
(Mãe larga os talheres.)
Mãe – Prefere repetir o ano e jogar fora todo trabalho que eu e teu pai tivemos para pagar aquela escola?
Gabriel debruça-se sobre a mesa.
Pai (afagando a cabeça do menino) – Tua mãe tem razão, filho.
(Meia luz.)

Cena IV
(Sentada Mãe penteia-se em frente ao espelho imaginário. Pai sentado em outra cadeira.)
Mãe – O que acha do Gabriel freqüentar a casa dessa mulher?
Pai –Ótimo.
Mãe – Ótimo? Não está certo. É solteira, mora sozinha.
Pai – Por favor, é só um menino. (levantando da cadeira) Não reparou que a gagueira está diminuindo?
Mãe – Reparou, também? (Pára de pentear)
(Pai retira o sapato.)
Pai – Dia desses, passei pela sala e ele estava lendo.
Mãe – Lendo?
Pai – Sim, lendo Machado de Assis.
(Pai retira meia.)
Mãe – Essa mulher é uma feiticeira. Uma feiticeira do bem. Nunca vi o Gabriel lendo, quem dera Machado de Assis, que nem eu tinha saco, nos tempos de escola.
Pai – Está levando a sério. Precisamos dar um crédito.
Mãe – Uma janta. Ofereceremos uma janta para agradecer.
Pai – Acha que ela aceitaria?
Mãe – Faço questão. É o mínimo.
Pai – Amanhã mandamos o convite pelo Gabriel.
Mãe – Pode ser sexta-feira. Saio do trabalho e vou ao supermercado compras os preparos. Farei aquela receita de strogonoff da mamãe.
(Apagam-se as luzes.)

Cena V
(Sentados à mesa, Pai e Alice.)
Alice –Não precisavam ter se preocupado.
Pai – Temos muito que lhe agradecer. Até a gagueira do menino sumiu.
Alice – Falei que seria coisa de tempo.
(Mãe entra carregando travessa imaginária. Põe sobre a mesa e toma seu lugar.)
Mãe – Espero que goste de strogonoff, receita de família.
Alice – Adoro.
Mãe – (para marido) E Gabriel?
Pai – No quarto.
Mãe – Esse menino. (Para a coxia) Gabriel, a janta está pronta.
(Gabriel entra em cena cabisbaixo e toma seu lugar.)
Pai – Nem cumprimenta a Alice, filho?
(Gabriel acena com a cabeça e permanece olhando para baixo.)
Mãe – Isso são modos?
Alice – Não se preocupem. Conheço bem a timidez de Gabriel. Como todas essas aulas, descobrimos muitas coisas um do outro.
Mãe – Esse é outro motivo pelo qual marcamos a janta. Não queremos interferir na sua vida. As notas do Gabriel melhoraram. Talvez as aulas não sejam mais necessárias.
(Gabriel olha para Alice.)
Alice – Não! Ele mostrou melhoras, mas pode render muito mais. Gabriel é um menino com muito potencial. Acredito que nas séries anteriores não recebeu a devida atenção.
Pai – Se é melhor para o menino. (Dá de ombros.)
Alice - (para o prato imaginário) Uhmmm, parece maravilhoso. (para mãe) Não vamos deixar que esfrie.
(Mãe sacode a cabeça em desaprovação.)
(Meia luz. Saem Alice e Gabriel.)

Cena VI
(Sala de estar. Mãe sentada assistindo televisão imaginária. Pai a frente do palco. Foco de luz direcionado.)
Pai – (para o público) O tempo passou, as aulas continuaram e a gagueira sumiu por completa. O menino? Tornou-se um leitor voraz. Abandonou o futebol, a televisão, até o vídeo game. Porém, minha esposa continuava cismada.
(Pai senta-se ao lado da mulher.)
Mãe – Que horas são?
Pai – Onze e pouco.
Mãe – Não está certo isso.
Pai – (apontando para televisão) Claro que está certo. Vilão tem que morrer.
Mãe – Não se faça de bobo.
Pai – É só um menino, por favor.
(Gabriel entra em cena)
Mãe – Isso são horas?
Gabriel – (olhando para baixo) A professora…
Mãe – Sei que Alice é muito prestativa, mas não está certo. Ela tem outras coisas para fazer.
Gabriel – (olhando para mãe) Ela pediu que eu ficasse.
Mãe – Não importa. Tem que te dar conta e sair. Nove horas é o limite, entendeu?
(Silêncio)
Mãe – Entendeu, Gabriel?
Gabriel – (olhando para baixo) Entendi.
Pai – Sua mãe tem razão, filho. Há essa hora, a rua é muito perigosa. E tu precisa acordar cedo.
Mãe – Assim me mata de preocupação.
Gabriel – Ok. Nove horas.
(Apagam-se as luzes.)

Cena VII
(Sala de estar. Lacerda a beira da porta imaginária. Pai lendo jornal. Som de campainha.)
Pai – Já vai.
(Pai caminha até a porta. Abre.)
Pai – Pois não.
Lacerda – Bom dia. Meu nome é Lacerda, sou inspetor da secretaria de educação.
Pai – E no que posso ajudar?
Lacerda - Tenho um assunto não muito agradável. Tem alguns minutinhos?.
Pai – Claro, entre.
(Lacerda entra. Senta em um dos acentos da sala. Meia Luz. Gabriel senta ao lado do homem. Pai vai à frente do palco. Foco de luz direcionado.)
Pai – (Para o público) Lacerda contou que estava investigando Alice. Três anos antes, ela foi acusada de seduzir um aluno da oitava série. Nada foi provado. Para evitar falatório na cidade pequena, onde trabalhava, a secretaria de educação transferiu-a para capital. Desde então, Lacerda está no seu encalço. Falou também que estava desconfiado que Alice e Gabriel. (Enrola as mãos.) Bem vocês sabem. Tentei convencê-lo de que Gabriel é só um menino. Porém de nada adiantou. Disse é que a lei é uma só; que medidas sérias deveriam ser tomadas caso se comprovasse o assédio; e que eu não estaria tão calmo se Gabriel fosse uma menina e Alice, um professor de educação física. Tive que buscar o menino na escola. (Impaciente) Desde então, Gabriel está nesse interrogatório. Não entendem, é só um menino.
(acendem as luzes.)

Cena VIII
(Lacerda e Gabriel se levantam. O inspetor aperta a mão do menino. O pai vai de encontro a eles.)
Lacerda – Gabriel foi muito bem.
Pai – Tem o que queria?
Lacerda – (para o pai) Sim. Em vinte anos de carreira, nunca me enganei.
(Pai e Gabriel se olham.)
Lacerda – Não há nada entre seu filho e aquela mulher. Agradeço o tempo que os dois me emprestaram.
Pai – Não foi nada. Agora, fico tranqüilo de saber que meu filho está em boas mãos. (Indicando o caminho da porta.)
Lacerda – Esse é meu dever. Espero não incomodá-los mais. Até.
(Lacerda sai de cena.)
Pai – Como combinamos?
(Gabriel sacode a cabeça em sinal positivo.)
Pai – Que sua mãe nunca saiba dessa visita. Adultos se preocupam demais.
(Pai passa a mão na cabeça do menino. Apagam-se as luzes.)